Investigação apura suspeita de remédio falso para câncer entregue a paciente no RS

Investigação apura suspeita de remédio falso para câncer entregue a paciente no RS

Rio Grande do Sul

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul abriu uma investigação para apurar a suspeita de falsificação de um medicamento de alto custo utilizado no tratamento oncológico de um paciente residente em Nova Esperança do Sul, na Região Central do estado. O alerta foi dado pelo próprio paciente, que, ao notar a ausência de resposta terapêutica após cerca de 20 dias de uso, buscou orientação médica e constatou irregularidades na embalagem do produto.

Indícios de fraude e origem duvidosa

O caso ganhou contornos mais graves após a análise inicial da cartela do medicamento. Segundo informações do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), o produto apresentava inscrições em chinês, o que destoa completamente das especificações do laboratório alemão responsável pela fabricação original do fármaco. Além do idioma, o oncologista Vinícius Lorandi, do Hospital São Lucas da PUCRS, apontou que a forma de acondicionamento — em cartelas de alumínio — é incompatível com a apresentação padrão do remédio, que deveria ser comercializado em frascos.

A suspeita é de que o conteúdo das cartelas possa ser, na verdade, um produto alimentício, como um doce, e não o princípio ativo necessário para o tratamento do câncer. A gravidade da situação mobilizou as autoridades, dado que a administração de substâncias falsas em pacientes oncológicos compromete diretamente a chance de cura e a segurança do tratamento.

Logística e responsabilidades na aquisição

O medicamento em questão não é fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sendo obtido pelo paciente por meio de uma decisão judicial. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Nova Esperança do Sul esclareceu que não realizou a compra do produto, nem utilizou recursos próprios para a aquisição. O fornecimento foi realizado por uma empresa sediada em Itajaí, em Santa Catarina, que enviou o material diretamente para a residência do paciente após o bloqueio judicial de valores.

Na última quarta-feira (7), agentes da Polícia Civil realizaram diligências na sede da empresa importadora em Santa Catarina. Durante a operação, foram apreendidos documentos e equipamentos eletrônicos que devem auxiliar a esclarecer se a distribuidora foi conivente com a fraude ou se também foi vítima de um esquema de falsificação. O material recolhido será submetido a perícia técnica pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) para confirmar a composição exata das substâncias.

Desdobramentos e implicações legais

A falsificação de medicamentos é classificada pela legislação brasileira como um crime hediondo contra a saúde pública, com penas que podem ultrapassar 15 anos de reclusão. Devido à natureza internacional da possível fraude, a Polícia Civil não descarta o envolvimento da Polícia Federal nas etapas futuras da apuração. O delegado Paulo de Abreu, diretor do Deic, reforçou que, neste momento, a investigação segue sob sigilo e não há conclusões definitivas sobre a responsabilidade da empresa importadora.

O caso serve como um alerta para a fragilidade da cadeia de suprimentos de medicamentos importados via judicialização. O ConexRS segue acompanhando o desdobramento das perícias e as próximas etapas da investigação policial para trazer informações atualizadas sobre este caso que impacta diretamente a saúde pública e a segurança dos pacientes oncológicos no país. Continue acompanhando nosso portal para mais notícias relevantes e apurações aprofundadas sobre os fatos que marcam o Rio Grande do Sul.

Fonte: g1.globo.com