Uma trajetória marcada por pioneirismo político
O cenário político do Rio Grande do Sul registrou um marco inédito no último domingo (4). Com a vitória da chapa encabeçada por Luciano Zucco (PL) ainda no primeiro turno, Silvana Covatti (PP) tornou-se a primeira mulher a ocupar o cargo de vice-governadora na história do estado. O resultado encerra um ciclo de exclusividade masculina no segundo posto mais importante do Poder Executivo gaúcho, trazendo uma nova perspectiva para a gestão estadual.
A trajetória de Silvana não é recente. Com uma carreira consolidada no Progressistas (PP), partido que se destaca como a maior força municipalista do Rio Grande do Sul — contando com 164 prefeitos eleitos em 2024 —, a nova vice-governadora já havia quebrado barreiras anteriormente. Em 2016, ela foi a primeira mulher a presidir a Assembleia Legislativa do Estado, e posteriormente, assumiu a Secretaria Estadual da Agricultura durante a gestão de Eduardo Leite (PSD).
O papel da representatividade feminina no Executivo
Ao comentar sua eleição, Silvana destacou a importância da presença feminina em espaços de decisão. “Hoje, somos 52% do eleitorado, o voto feminino. Pela primeira vez, teremos uma mulher ao lado de um homem para governar o estado”, afirmou. Segundo a vice-governadora eleita, sua atuação será focada em um olhar sensível para as demandas das famílias gaúchas, abrangendo áreas essenciais como saúde e educação.
A parceria com o governador eleito, Luciano Zucco, é vista por ela como complementar. Silvana descreve Zucco como um gestor disciplinado e ressalta que a união de suas experiências visa honrar a confiança depositada pelos eleitores nas urnas. A expectativa é que o novo governo busque equilibrar a visão técnica com uma abordagem voltada às necessidades sociais imediatas da população.
Antecedentes e consolidação na Assembleia Legislativa
A entrada de Silvana na vida pública ocorreu após anos de dedicação aos bastidores, ao lado de seu marido, Vilson Covatti, figura de longa data na política gaúcha. Durante 23 anos, ela atuou na estruturação interna do partido, presidindo o PP Mulher no RS. Sua estreia nas urnas ocorreu em 2006, quando foi eleita deputada estadual com 65.547 votos, consolidando-se como a mulher mais votada daquela legislatura.
Ao longo das décadas, sua votação seguiu uma trajetória ascendente, demonstrando forte capilaridade eleitoral:
- 2010: 85.604 votos, a maior votação do Legislativo gaúcho na ocasião.
- 2014: 89.130 votos, sendo a mais votada da bancada progressista.
- 2018: 75.068 votos, garantindo a quinta maior votação do estado.
- 2022: 82.717 votos, assegurando seu quinto mandato parlamentar.
Essa sequência de mandatos na Assembleia Legislativa conferiu a Silvana a experiência necessária para transitar entre os poderes e compreender a complexidade da administração pública estadual. A transição para o Palácio Piratini, agora como vice-governadora, representa o ápice de uma carreira construída com foco em resultados e articulação partidária.
Contexto histórico da vice-governadoria
A eleição de Silvana Covatti altera uma lista de sucessores que, desde 1982, foi composta exclusivamente por homens. Nomes como Gabriel Souza, Ranolfo Vieira Júnior e José Paulo Cairoli ocuparam a função nas últimas décadas, mantendo o padrão histórico do estado. A inclusão de uma mulher na chapa vencedora reflete uma mudança gradual, porém significativa, na composição dos quadros políticos gaúchos.
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Fonte: g1.globo.com

