Fundos cetipados ganham espaço no mercado imobiliário brasileiro

Fundos cetipados ganham espaço no mercado imobiliário brasileiro

Economia

O cenário de volatilidade na bolsa de valores tem levado investidores a buscar alternativas fora do ambiente tradicional de negociação. Enquanto o Ifix, índice de referência dos fundos imobiliários, enfrenta oscilações e acumula queda superior a 3% nos últimos seis meses, uma modalidade ganha protagonismo: os fundos cetipados. Diferente dos ativos listados na B3, esses produtos são negociados no mercado de balcão, oferecendo uma dinâmica distinta para quem busca compor patrimônio.

A principal característica desses fundos é a ausência de cotação em tempo real na bolsa. A negociação ocorre via Cetip, exigindo que o investidor acione sua corretora para encontrar uma contraparte interessada na transação. Essa estrutura, embora menos ágil, tem se mostrado um refúgio para quem deseja evitar a montanha-russa de preços diários, consolidando-se como uma opção estratégica em momentos de instabilidade econômica.

A ascensão dos fundos fora da bolsa

A popularidade dos fundos cetipados está diretamente ligada ao atual patamar da taxa de juros. Com a renda fixa tornando-se mais atrativa, o custo de oportunidade para o investidor aumenta, pressionando a captação de recursos na renda variável. Para as gestoras, o formato de balcão tornou-se um caminho viável para captar recursos sem depender da liquidez diária da bolsa, que muitas vezes penaliza ativos de longo prazo.

Especialistas observam que essa modalidade não veio para substituir os fundos listados, mas para ocupar um espaço complementar na indústria. A estrutura permite que gestores foquem em ativos menos líquidos, como crédito estruturado e projetos de desenvolvimento imobiliário, sem a pressão constante por resgates ou a volatilidade que afeta o preço das cotas em ambiente público.

Vantagens tributárias e operacionais

Um dos pontos que mantém o interesse dos investidores é a isenção de imposto de renda sobre a distribuição de dividendos, seguindo as mesmas regras aplicadas aos fundos listados de mesma classe. Para o investidor pessoa física, a isenção é garantida desde que ele não detenha mais de 10% das cotas e não receba rendimentos superiores a 10% do total distribuído pelo fundo.

Além da questão fiscal, a previsibilidade é um diferencial. Em ativos de prazo determinado, o investidor consegue visualizar a rentabilidade esperada até o vencimento. No entanto, é preciso cautela: a ausência de “preço de tela” não elimina o risco econômico. A venda de uma cota no balcão depende da negociação com uma contraparte, o que pode exigir descontos em relação ao valor patrimonial do ativo.

Estratégias de diversificação e o papel do investidor

Os fundos cetipados são vistos como ferramentas de diversificação, especialmente para acessar operações de crédito ou estruturas imobiliárias de longo prazo. Segmentos como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), CRAs e debêntures incentivadas de infraestrutura têm se adaptado bem ao formato, privilegiando o fluxo de caixa recorrente.

Exemplos recentes demonstram o apetite do mercado. O fundo BTG Crédito Imobiliário CDI (BTDI11), por exemplo, busca captar até R$ 481,5 milhões em sua terceira emissão, focando em ativos indexados ao CDI. Da mesma forma, a XP Investimentos captou recursos para o XP Office Prime, destinado à aquisição de edifícios de alto padrão em São Paulo, como o JK Square e o River South, reforçando que grandes gestoras estão apostando na robustez dessa modalidade.

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Fonte: seudinheiro.com