A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, protocolou uma notícia-crime junto ao Ministério Público Eleitoral solicitando a prisão preventiva de George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Presidência. A medida, que também inclui um pedido de busca e apreensão, fundamenta-se em acusações de disseminação de desinformação envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida.
O embate jurídico sobre as redes sociais
O centro da disputa reside em publicações realizadas na rede social X. Segundo a defesa de Flávio Bolsonaro, o servidor teria atuado de forma deliberada para impulsionar uma narrativa falsa de que o candidato pretendia retirar o título de padroeira do Brasil da santa. A equipe jurídica argumenta que, ao republicar conteúdos que incentivavam a manutenção da polêmica mesmo após esclarecimentos, o coordenador teria incorrido em crimes previstos no Código Eleitoral e no Código Penal, como a divulgação de fatos sabidamente inverídicos e associação criminosa.
Além da prisão preventiva, a campanha solicita medidas cautelares rigorosas, incluindo a suspensão do exercício da função pública de Marques e a proibição do uso de redes sociais. O objetivo, segundo os advogados, é estancar o que classificam como uma estratégia organizada de desinformação que teria o intuito de prejudicar a imagem do candidato junto ao eleitorado religioso.
Posicionamento do Planalto e repercussão
Em resposta oficial, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) refutou categoricamente as alegações da campanha. O órgão classificou o pedido de prisão como um ato arbitrário e injusto, destacando que as manifestações de George Marques ocorreram em caráter estritamente pessoal, fora do horário de expediente e sem a utilização de recursos ou equipamentos públicos.
A Secom afirmou ainda que a tentativa de vincular o governo federal às publicações de um servidor em suas redes particulares configura uma distorção dos fatos. O órgão reiterou seu compromisso com a liberdade de expressão e de crença, manifestando preocupação com o que descreveu como uma tentativa de censura e patrulhamento ideológico contra cidadãos, motivada pelo cenário de acirramento da disputa eleitoral de 2026.
Contexto da campanha eleitoral
O episódio ocorre em um momento de alta tensão na corrida ao Palácio do Planalto, onde temas de costumes e religião ganham protagonismo nas estratégias de comunicação. A disputa sobre a figura de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do país, ilustra como a desinformação digital se tornou um campo de batalha central para as campanhas, que buscam mobilizar bases eleitorais em regiões estratégicas como o Norte e o Nordeste.
O desdobramento desta notícia-crime deve ser acompanhado de perto pelo Ministério Público Eleitoral, que avaliará se há elementos suficientes para a abertura de um inquérito formal. Enquanto isso, o caso reforça a necessidade de vigilância sobre os limites entre a liberdade de expressão individual e a responsabilidade de agentes públicos durante o período de campanha. Para acompanhar os desdobramentos desta e de outras notícias sobre o cenário político nacional, continue conectado ao ConexRS, seu portal de informação relevante e contextualizada.
Fonte: redir.folha.com.br
