O mercado imobiliário brasileiro, que durante anos teve nas construtoras focadas no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) o seu porto seguro, enfrenta uma mudança de rota. Diante do cenário desenhado após o primeiro turno das eleições, o JP Morgan revisou suas recomendações para o setor, sinalizando que o consenso de investimento que privilegiava empresas de baixa renda pode estar perdendo força em favor de companhias voltadas aos segmentos de média e alta renda.
Historicamente, em períodos de juros elevados e crédito restrito, empresas como Cury (CURY3), Direcional (DIRR3) e Tenda (TEND3) foram as protagonistas na bolsa, dada a resiliência da demanda habitacional popular. Contudo, o banco norte-americano agora aponta para uma nova dinâmica, elevando as recomendações de Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3) para overweight, enquanto rebaixou as anteriormente citadas para neutras.
Aposta na reprecificação das ações
A tese do JP Morgan não se baseia apenas em resultados operacionais imediatos, mas em uma expectativa de reprecificação. O banco traça um paralelo com o ciclo de 2018, quando a mudança de direção política no país impulsionou os múltiplos das construtoras, com investidores passando a aceitar prêmios mais altos diante de uma perspectiva econômica mais favorável.
O raciocínio central é que, caso o cenário político favoreça uma política fiscal mais austera, haverá espaço para a queda dos juros de longo prazo. Como os clientes de média e alta renda são mais dependentes do financiamento imobiliário tradicional, a redução das taxas torna as parcelas mais acessíveis, estimulando a demanda por lançamentos e aquecendo o setor.
Cyrela como protagonista do setor
A Cyrela surge como a principal aposta do JP Morgan, com um preço-alvo de R$ 34,50 por ação. A recomendação reflete a confiança na diversificação da companhia, que atua em diferentes frentes do mercado imobiliário. Além de sua forte presença no segmento de alta renda, a empresa possui participações estratégicas em outras construtoras listadas, como Cury, Lavvi e Plano & Plano.
Outro diferencial citado pelos analistas é a operação da Cashme, braço financeiro especializado em crédito com garantia imobiliária. Segundo o banco, o valor de mercado da Cashme, estimado em cerca de R$ 3 bilhões, não estaria totalmente precificado nas ações da controladora, o que confere um potencial de valorização adicional ao papel.
Eztec e o potencial de valorização
A Eztec também figura entre as preferências, com preço-alvo de R$ 19 por ação. O banco destaca que a companhia negocia a 0,76 vez o seu valor patrimonial, um patamar considerado atrativo para uma empresa com baixo endividamento e um banco de terrenos robusto em São Paulo. A expectativa é que a Eztec seja uma das maiores beneficiárias de um eventual ciclo de queda de juros, permitindo a monetização de ativos estratégicos, como o projeto Esther Tower.
O cenário, embora dependente de variáveis macroeconômicas e políticas, reflete o otimismo do mercado financeiro com a possibilidade de um novo ciclo de valorização para o setor de construção civil. Para acompanhar os desdobramentos dessa movimentação e entender como as decisões políticas impactam o seu patrimônio, continue lendo o ConexRS. Nosso compromisso é levar até você uma análise aprofundada, diversa e pautada pela credibilidade que a informação de qualidade exige.
Fonte: seudinheiro.com

