Justiça condena 15 por adulteração de leite com soda cáustica no RS

Justiça condena 15 por adulteração de leite com soda cáustica no RS

Rio Grande do Sul

A Justiça do Rio Grande do Sul condenou 15 pessoas por envolvimento em um esquema de adulteração de leite com soda cáustica, em um caso que chocou a região de Taquara, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A decisão, assinada na última terça-feira (13), é um desdobramento da Operação Leite Compensado, que teve início em dezembro de 2024.

Detalhes da operação e condenações

A sentença foi proferida pela 2ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro, com base em denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). Todos os 15 réus foram condenados por associação criminosa, e 13 deles também por adulteração de produtos alimentícios.

O grupo utilizava produtos químicos para alterar parâmetros do leite, mantinha registros paralelos para esconder irregularidades e reaproveitava produtos vencidos ou impróprios na fabricação de alimentos. As maiores penas foram aplicadas a Antônio Ricardo Colombo Sader e Tales Bardo Laurindo, condenados a 13 anos e 4 meses de reclusão, em regime inicial fechado.

Modus operandi do esquema

Segundo a decisão judicial, o grupo usava códigos como “vitamina” para se referir à soda cáustica e “lactose” para o peróxido de hidrogênio. Quando análises apontavam acidez elevada, cálculos eram feitos para definir a quantidade de produto químico a ser adicionada aos silos. A soda cáustica era retirada da estrutura de limpeza da indústria e colocada nos silos por meio de baldes, funis ou tubulações.

O documento também menciona um episódio envolvendo o Silo 3, onde o leite destinado à produção de UHT apresentou acidez elevada e recebeu soda cáustica, sendo posteriormente redirecionado para composto lácteo.

Depósitos clandestinos e reaproveitamento

A sentença destaca a existência de depósitos não declarados à fiscalização, onde mais de 800 toneladas de mercadorias deterioradas, vencidas ou sem rotulagem foram encontradas. Produtos desses depósitos eram reincorporados à produção, incluindo raspagens das câmaras de secagem e resíduos de varredura de chão.

Além disso, a decisão menciona uma simulação de descarte de produtos condenados pelo Ministério da Agricultura, onde sacos eram queimados na caldeira para gravação de vídeo, enquanto o restante do material era mantido para reaproveitamento.

Impacto e consequências

Os produtos apreendidos, insumos e matérias-primas deverão ser destruídos, e o Ministério da Agricultura foi comunicado para providenciar o descarte. A decisão também foi comunicada às prefeituras com contratos vigentes ou licitações em andamento com empresas vinculadas aos réus, especialmente em programas de alimentação escolar.

O caso levanta preocupações sobre a segurança alimentar e a fiscalização de produtos lácteos no Brasil, destacando a importância de medidas rigorosas para garantir a qualidade dos alimentos consumidos pela população.

Reações e apelações

A defesa de alguns réus, como Sérgio Alberto Seewald e Alaete Girardi, já manifestou a intenção de recorrer da decisão, alegando a existência de elementos técnicos que demonstram a inocência dos envolvidos e apontando nulidades no processo. A defesa confia nas instâncias superiores para reverter a sentença.

O caso continua a repercutir, e a sociedade aguarda por desdobramentos que possam reforçar a confiança na integridade dos produtos alimentícios no país.

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Fonte: g1.globo.com