Após quatro dias de julgamento, o Tribunal do Júri de Soledade considerou culpados, nesta sexta-feira (23), os quatro réus acusados pela morte de Paula Chaiane Perin Portes, de 18 anos. O crime que chocou a comunidade regional ocorreu no ano de 2020 e mobilizou autoridades locais em uma longa investigação para esclarecer as circunstâncias do homicídio e a ocultação do cadáver.
As penas definidas para Dionatan Portella da Silva, Micael Willian Rossi Ortiz, Gesriel da Cunha Wedy e João Albino Abegg dos Santos variam de nove a 21 anos de reclusão, aplicadas em regime fechado. A decisão judicial encerra uma etapa crucial do processo, mas mantém viva a memória do caso que repercutiu amplamente em todo o estado do Rio Grande do Sul.
Decisão do Tribunal e execução imediata
A sentença foi proferida por volta das 22h pelo Juiz de Direito José Pedro Guimarães, que presidiu os trabalhos do júri na Câmara de Vereadores do município desde terça-feira (20). O magistrado determinou a execução imediata da pena, impedindo que os réus possam recorrer da decisão em liberdade. Conforme os registros do processo, dois dos envolvidos já cumpriam prisão preventiva enquanto aguardavam o desfecho judicial.
A condução do plenário exigiu rigor técnico e atenção redobrada devido à complexidade das evidências apresentadas pela acusação e pela defesa. A presença da comunidade acompanhando os desdobramentos reforçou o clamor por justiça em relação a um caso cercado de forte comoção pública desde o seu surgimento.
Dinâmica do crime e ocultação do corpo
De acordo com a denúncia formalizada pelo Ministério Público, os réus causaram a morte de Paula no dia 11 de junho de 2020, em um intervalo compreendido entre 00h50min e 01h35min. O ato violento ocorreu no interior de um imóvel situado no bairro Fontes, na cidade de Soledade, após a vítima ter sido atraída para o local na noite anterior.
A investigação apontou que a jovem foi morta por asfixia dentro do espaço residencial. Na sequência, o grupo utilizou um veículo para transportar o corpo até uma propriedade rural, manobra executada com o propósito evidente de dificultar o trabalho das autoridades e ocultar vestígios do crime.
Desdobramentos da investigação policial
O cerco investigativo avançou à medida que novas pistas surgiram sobre a movimentação dos suspeitos após a noite do homicídio. O Ministério Público detalhou que, em um segundo momento, dois dos réus retornaram ao local para remover o cadáver e transferi-lo para outra área rural, localizada na localidade de Rincão do Bugre.
O corpo de Paula Chaiane Perin Portes só foi localizado cerca de dois meses após o desaparecimento, em 16 de agosto de 2020. A descoberta encerrou a angustiante busca liderada por familiares e forzeis de segurança, fornecendo os elementos periciais definitivos para a sustentação da acusação que agora resulta na condenação do grupo pelo Tribunal do Júri.

