Ator Marco Nanini é vaiado em teatro gaúcho após exigir saída de intérpretes de Libras do palco

Ator Marco Nanini é vaiado em teatro gaúcho após exigir saída de intérpretes de Libras do palco

Rio Grande do Sul

A apresentação da peça “Fim de Partida” no Teatro Simões Lopes Neto, em Porto Alegre, foi marcada por um incidente envolvendo a acessibilidade cultural. Durante a segunda sessão do espetáculo, estrelado por Marco Nanini, a intercorrência técnica levou à retirada dos intérpretes de Libras do palco, gerando protestos na plateia, vaias ao ator e repercussão negativa entre o público e coletivos da comunidade surda.

O problema central girou em torno de uma incompatibilidade entre o posicionamento dos profissionais de Libras e o projeto de iluminação da montagem. De acordo com relatos colhidos no local, o ator interrompeu a encenação para alegar que a luz direcionada aos intérpretes estaria gerando sombras e prejudicando sua visão no palco, culminando no pedido para que a equipe de acessibilidade deixasse o espaço.

Conflito técnico e interrupção do espetáculo

A saída dos intérpretes resultou na continuidade da peça sem os recursos de tradução simultânea, o que motivou a saída imediata de espectadores que necessitavam do suporte ou que decidiram protestar contra a decisão. Ao final da apresentação, cortinas se fecharam sob fortes vaias direcionadas ao elenco e à produção.

O espetáculo adapta o clássico texto de Samuel Beckett e conta com nomes consagrados no elenco, como Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França. A estreia na capital gaúcha havia ocorrido na noite anterior sem registro de problemas semelhantes, o que surpreendeu parte da plateia presente na sessão de domingo.

Repercussão e posicionamento da comunidade surda

A remoção do recurso de acessibilidade provocou debates profundos sobre o respeito aos direitos culturais da comunidade surda. Espectadores presentes relataram sentimentos de constrangimento e exclusão após o ocorrido, destacando que medidas dessa natureza desestimulam a participação de pessoas surdas em espaços artísticos.

Especialistas e frequentadores reforçam que iniciativas de inclusão precisam estar integradas desde a fase de planejamento dos projetos cênicos. A discussão ganhou força nas redes sociais, levantando questionamentos sobre como os teatros e as companhias lidam com imprevistos técnicos sem comprometer o direito fundamental ao acesso à cultura.

Manifestações oficiais de produtora e teatro

Diante da repercussão do caso, a Pequena Central de Produções Artísticas divulgou uma nota de esclarecimento na qual assume total responsabilidade pelo ocorrido. A empresa admitiu que falhou ao não assegurar previamente as condições técnicas exigidas para a sessão adaptada.

Por sua vez, a Fundação Theatro São Pedro lamentou os transtornos e pontuou que equipes do espaço tentaram mediar a situação em busca de alternativas técnicas, sem sucesso. Para mais informações e atualizações sobre a agenda cultural do estado, continue acompanhando a cobertura completa do ConexRS.

Fonte: g1.globo.com