Mercado de feijão enfrenta baixa liquidez e alerta para queda de 7,1% na oferta em 2027/28

Mercado de feijão enfrenta baixa liquidez e alerta para queda de 7,1% na oferta em 2027/28

Agro

O mercado brasileiro de feijão atravessa um momento de descompasso entre a realidade imediata e as projeções para o médio prazo. Enquanto o setor lida com uma demanda retraída e baixa liquidez no curto prazo, analistas já desenham um cenário de preocupação para a temporada 2027/28. Dados da consultoria Safras & Mercado indicam que a oferta total do grão pode sofrer uma redução de 7,1%, pressionada por uma combinação de riscos climáticos e estoques iniciais significativamente menores.

Desafios imediatos e cautela no varejo

No cenário atual, o ritmo de negócios segue lento. Pesquisadores do Cepea apontam que as indústrias têm adotado uma postura de cautela, priorizando o giro dos estoques existentes em vez de novas aquisições. Esse comportamento é reflexo direto de um varejo menos ativo, que tem freado a reposição e, consequentemente, restringido a liquidez no mercado.

Para evitar uma desvalorização acentuada, vendedores que possuem maior capacidade financeira têm optado por segurar a oferta. No caso do feijão-carioca, a demanda enfraquecida tem dificultado a sustentação dos preços praticados em semanas anteriores. Já para o feijão-preto tipo 1, o mercado observa ajustes nas cotações após um período de altas recentes, evidenciando a volatilidade que marca o setor neste momento.

Projeções para a safra 2027/28

Olhando para o futuro, o balanço da safra 2027/28 revela uma fragilidade estrutural. Embora a área cultivada deva crescer 3%, atingindo 2,650 milhões de hectares, o ganho de espaço não será suficiente para elevar a produção. A estimativa é de uma queda de 5% no rendimento médio, o que deve resultar em uma produção de 3,008 milhões de toneladas, um recuo de 2,2%.

O ponto de maior atenção, segundo o analista Evandro Oliveira, da Safras & Mercado, reside na escassez de estoques. A previsão é de uma queda de 65,8% no volume inicial da temporada, caindo de 286,1 mil para 97,8 mil toneladas. Mesmo com um aumento de 25% nas importações, que devem somar 65 mil toneladas, o volume total disponível não será capaz de suprir a demanda sem ajustes severos.

Impactos no consumo e nas exportações

Para equilibrar a balança, o setor deverá sacrificar o excedente exportável. A projeção é de que as exportações recuem 39,4%, caindo para 300 mil toneladas. O consumo doméstico, por sua vez, deve apresentar uma leve retração de 0,7%, ficando em 2,800 milhões de toneladas. A estratégia é clara: preservar o abastecimento interno diante de uma oferta que se mostra cada vez mais limitada.

Além disso, o analista alerta para os efeitos do El Niño sobre a primeira safra 2026/27, que serve de base para o ciclo seguinte. O excesso de umidade e a irregularidade das chuvas não apenas ameaçam a produtividade, mas podem comprometer o calendário de semeadura da segunda safra, criando um efeito cascata que reduz a capacidade do mercado de absorver qualquer imprevisto climático ou aumento súbito na demanda.

O cenário para os próximos ciclos exige que produtores e indústrias mantenham um planejamento rigoroso. Acompanhar as condições de mercado e os riscos climáticos será determinante para a tomada de decisão. O ConexRS segue atento às movimentações do agronegócio, trazendo análises aprofundadas sobre os temas que impactam a economia e a mesa dos brasileiros. Continue acompanhando nosso portal para se manter informado com credibilidade e variedade de conteúdo.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br