O mercado brasileiro de soja apresentou estabilidade e poucas variações nesta quarta-feira (9). Com a oferta interna restrita, os produtores mantêm uma postura de retenção, aguardando por melhores condições de negociação, o que gera um descompasso entre as expectativas de venda e a realidade de originação enfrentada pela indústria.
Dinâmica de preços e escassez de oferta no mercado interno
A disparidade entre os valores propostos pelos compradores e as exigências dos vendedores permanece como o principal entrave para a fluidez dos negócios. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a indústria enfrenta dificuldades operacionais devido ao elevado nível dos prêmios locais, o que mantém os preços em patamares sustentados, especialmente nas regiões portuárias.
Em praças estratégicas, como Passo Fundo (RS) e Santa Rosa (RS), os preços registraram leves altas, atingindo R$ 153,50 e R$ 154,50, respectivamente. Em Paranaguá (PR), a cotação subiu para R$ 161,00, enquanto em Rondonópolis (MT), Dourados (MS) e Rio Verde (GO), os valores permaneceram inalterados, refletindo a cautela dos agentes econômicos diante do cenário de entressafra.
Ajustes técnicos e expectativa pelo relatório do USDA
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), a sessão foi marcada por uma correção técnica e realização de lucros. Os investidores adotaram uma postura defensiva, posicionando suas carteiras antes da divulgação do relatório de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para esta sexta-feira.
Apesar da retração nos preços futuros, o mercado encontra suporte na demanda chinesa, que segue ativa, com o registro de vendas de 340 mil toneladas para a China e outras 100 mil toneladas para destinos não revelados. Além disso, as preocupações com o clima seco no cinturão produtor americano e a valorização do petróleo atuam como fatores limitantes para quedas mais acentuadas.
Projeções para a safra e estoques globais
O mercado internacional trabalha com a expectativa de que o USDA revise para baixo as estimativas de safra e estoques de passagem dos Estados Unidos para o ciclo 2026/27. Analistas projetam que a produção americana possa recuar para 4,492 bilhões de bushels, ante a previsão anterior de 4,519 bilhões.
Quanto aos estoques finais globais, a tendência projetada é de um ajuste para 123,1 milhões de toneladas para a temporada 2026/27. Esse cenário de oferta mais ajustada mantém a atenção dos investidores voltada para os dados oficiais, enquanto o dólar comercial, com alta de 0,41% e fechamento a R$ 5,1105, continua a influenciar a paridade de exportação e a competitividade do grão brasileiro.
Fonte: canalrural.com.br
