A cultura da cana-de-açúcar, pilar fundamental do agronegócio brasileiro, enfrenta um desafio constante que exige vigilância técnica rigorosa: a presença da broca-da-cana (Diatraea saccharalis). Presente em praticamente todas as regiões produtoras do país, essa praga não apenas compromete a produtividade física no campo, mas também degrada a qualidade da matéria-prima entregue às unidades industriais, gerando perdas econômicas que alcançam a marca de R$ 5 bilhões por safra.
O impacto da praga na produtividade e na indústria
O dano causado pela Diatraea saccharalis vai muito além da simples perfuração dos colmos. A presença da lagarta abre galerias internas que servem como porta de entrada para patógenos oportunistas, como fungos dos gêneros Fusarium e Colletotrichum falcatum, este último responsável pela podridão vermelha. Esse processo de deterioração compromete diretamente a qualidade do caldo, reduzindo o rendimento industrial final.
Dados de mercado indicam que cada 1% no Índice de Infestação Final (IIF) pode resultar em uma perda de até 1,5 tonelada de cana por hectare. Além disso, há uma redução estimada de 0,4 quilo de açúcar por tonelada processada, o que impacta severamente a rentabilidade do setor sucroalcooleiro. Como explica Maria Luiza Fernandes, desenvolvedora de mercado da Biotrop, a broca desencadeia um efeito em cadeia que une perdas de produtividade à perda de qualidade da matéria-prima.
A importância estratégica da janela de controle
O sucesso no manejo da broca-da-cana está intrinsecamente ligado à precisão do momento da intervenção. Uma vez que a lagarta penetra no interior do colmo, ela encontra um ambiente protegido, tornando a eficácia da maioria dos tratamentos significativamente menor. Portanto, o monitoramento deve ser focado na identificação de adultos e lagartas ainda nos estágios iniciais de desenvolvimento.
Fatores climáticos como temperaturas elevadas e alta umidade, somados às mudanças nos sistemas de produção, têm influenciado a dinâmica populacional da praga. Diante desse cenário, o monitoramento contínuo deixa de ser uma tarefa de rotina para se tornar uma ferramenta estratégica de gestão. A janela de ação é restrita, e a capacidade de agir antes da instalação da praga no interior da planta é o que diferencia uma lavoura rentável de uma área com prejuízos acumulados.
Tecnologias e manejo integrado no campo
Para enfrentar esse desafio, o setor tem adotado o Manejo Integrado de Pragas (MIP), que combina o uso de defensivos químicos, tecnologias biotecnológicas e soluções biológicas. A diversificação de mecanismos de ação é fundamental não apenas para o controle imediato, mas também para a gestão da resistência da praga aos produtos aplicados.
Entre as alternativas disponíveis, produtos como o Biobrev Full têm sido utilizados para auxiliar no controle de lagartas em áreas de cana-planta e cana-soca. Com formulações que atuam por ingestão e contato, essas tecnologias buscam oferecer uma resposta rápida após a aplicação. A escolha da estratégia, contudo, deve ser sempre pautada pela análise da pressão da praga e pelas particularidades do programa de manejo de cada propriedade.
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Fonte: portaldoagronegocio.com.br
