Esquema de desvio de recursos públicos em Bagé
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) protocolou, na última sexta-feira (24), uma nova ação de improbidade administrativa contra o ex-prefeito de Bagé, Divaldo Lara (Republicanos). O processo, que também inclui outros seis investigados, detalha um suposto esquema de apropriação de recursos públicos municipais, que teria utilizado a estrutura da prefeitura para atender a interesses particulares e familiares do ex-gestor.
A denúncia é um desdobramento de investigações iniciadas pelo MP-RS e aprofundadas pela Polícia Federal de Bagé, durante a Operação Coactum. O cerne da acusação reside na utilização de valores exigidos de servidores públicos — sob o disfarce de uma suposta contribuição partidária — para o custeio de despesas pessoais do ex-prefeito, configurando um uso indevido da máquina pública.
Coação e caixa paralelo na administração municipal
Segundo a apuração das autoridades, durante os dois mandatos de Divaldo Lara, entre 2017 e 2024, ocupantes de cargos em comissão e funções gratificadas na prefeitura teriam sofrido pressões sistemáticas. O repasse de parte dos vencimentos era apresentado como uma condição obrigatória para a manutenção dos cargos ou para a garantia de benefícios funcionais, criando um ambiente de coação interna.
Os elementos colhidos pela Polícia Federal indicam que os valores arrecadados não seguiam o fluxo contábil oficial do partido político beneficiado, nem eram declarados à Justiça Eleitoral. A existência desse “caixa paralelo” permitia que o dinheiro fosse movimentado sem transparência, sendo parte dele utilizada para o pagamento de contas particulares e familiares do ex-prefeito, conforme apontam os registros da investigação.
Sanções e o histórico de condenações
Na petição inicial, o Ministério Público requer que a Justiça reconheça a prática de improbidade administrativa por enriquecimento ilícito. Entre as sanções pleiteadas estão a devolução integral dos valores desviados aos cofres públicos, a suspensão dos direitos políticos dos envolvidos e a perda de eventuais funções públicas que ainda ocupem. O caso segue agora para análise do Poder Judiciário, onde os acusados terão direito ao contraditório e à ampla defesa.
Este novo episódio se soma a um histórico recente de problemas judiciais envolvendo a gestão de Divaldo Lara. Em outubro de 2025, a Vara Estadual de Improbidade Administrativa já havia condenado o ex-prefeito, além de agentes públicos e empresários, por irregularidades em contratos na área da saúde. Naquela ocasião, a sentença do magistrado Thomas Vinicius Schons destacou o recebimento de propina mensal de R$ 40 mil para favorecer entidades parceiras, resultando em condenações que incluíram a suspensão de direitos políticos por 10 anos e o ressarcimento de R$ 200 mil ao erário.
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Fonte: agorars.com
