Um foco de doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina, levou cinco países a restringir produtos avícolas brasileiros, conforme atualização do Ministério da Agricultura de 21 de outubro reproduzida pela Terra Agro Insights. Segundo o material, o foco foi confirmado em 18 de outubro. A propriedade mantinha aproximadamente seis mil aves, que não foram destinadas ao consumo.
Medidas sanitárias e monitoramento regional
A granja afetada foi interditada imediatamente pelas autoridades competentes, e o processo de eliminação das aves dos dois galpões terminou entre os dias 19 e 20 de outubro. O boletim oficial informa ainda a decretação de emergência zoossanitária pelo período de 60 dias em municípios como Nova Itaberaba, Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias.
Como parte da estratégia para conter a disseminação do vírus, cerca de 133 propriedades passaram a figurar sob rigoroso monitoramento no levantamento apresentado. As ações buscam delimitar o foco com precisão cirúrgica e acompanhar de perto a evolução da situação sanitária em toda a região atingida.
Impacto nas exportações e países envolvidos
Na posição de 21 de outubro citada no documento, o México e a Malásia adotaram restrições de abrangência nacional. A suspensão determinada pelas autoridades mexicanas incluiu aves vivas, carne, miúdos e ovos férteis. Por outro lado, China, Arábia Saudita e Chile optaram por limitar os embargos estritamente ao estado de Santa Catarina.
A publicação especializada estimou que os mercados e produtos atingidos correspondiam a aproximadamente 46 mil toneladas mensais, patamar próximo de 10% dos embarques totais do setor. Trata-se de uma estimativa preliminar de exposição comercial, e não de uma perda financeira ou de volume efetivamente já concretizada.
Reflexos no mercado interno e cadeia de grãos
Enquanto o cenário internacional passava por reconfigurações, os preços internos mantiveram certa estabilidade no período avaliado. Entre 16 e 22 de outubro, o quilo do frango congelado comercializado no estado de São Paulo permaneceu cotado em R$ 8,49, segundo os registros semanais do Cepea.
Antes da confirmação oficial do foco da doença, o fluxo de exportações brasileiras exibia forte ritmo de crescimento. Os dados consolidados até 16 de outubro apontavam uma média diária de embarques 23,6% superior à registrada em outubro de 2025, um desempenho que ainda não incorporava os efeitos posteriores das barreiras sanitárias impostas.
No tocante à cadeia de insumos, os cálculos da Terra Agro Insights indicam que o volume de carne exposto aos bloqueios equivaleria a aproximadamente 62 mil toneladas de milho por mês, o equivalente a 0,7% do consumo mensal total do cereal no país. Contudo, especialistas ressaltam que essa equivalência não representa uma redução automática da demanda, visto que o resultado final dependerá diretamente do redirecionamento das rotas de exportação, do escoamento para o mercado interno e das futuras decisões estratégicas de alojamento e produção adotadas pela avicultura nacional.

