A capital gaúcha vive um novo período de atenção hidrológica. De acordo com projeções divulgadas pela Prefeitura de Porto Alegre nesta quarta-feira (22), o nível do Guaíba pode atingir a marca de 2,50 metros no Cais Mauá entre a sexta-feira (24) e o próximo sábado (25). A elevação, que tem sido acompanhada de perto pelas autoridades municipais, reflete a chegada de volumes expressivos de água provenientes das bacias dos rios Taquari e Caí, que já operam acima de suas respectivas cotas de inundação.
Às 16h desta quarta-feira, a medição oficial no Cais Mauá apontava 1,52 metro. O dado representa uma subida rápida de 42 centímetros em relação ao mesmo horário na terça-feira, quando o manancial registrava 1,10 metro. A dinâmica de subida preocupa moradores de áreas ribeirinhas e o sistema de proteção contra cheias da cidade, que mantém o monitoramento constante em parceria com órgãos técnicos.
Projeções técnicas e divergências nas cotas de referência
O cenário atual é sustentado por boletins hidrológicos elaborados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) em conjunto com o Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH). Os modelos indicam que, em cenários mais críticos, o nível pode se aproximar perigosamente da cota de alerta ao longo dos próximos dias. Contudo, especialistas reforçam que as projeções são baseadas em modelos matemáticos e estão sujeitas a variações conforme o comportamento climático e a vazão dos afluentes.
Um ponto que tem gerado debate técnico é a divergência nos parâmetros de referência. Enquanto a Prefeitura de Porto Alegre trabalha com a marca de 2,50 metros como cota de alerta, o Sistema de Alerta de Eventos Críticos do SGB estabelece esse limite em 2,60 metros para a estação Cais Mauá C6. O órgão federal ainda classifica o nível de 1,90 metro como ponto de atenção e define 3 metros como a cota oficial de inundação. Até o momento, o Poder Executivo municipal não detalhou os critérios que levaram à adoção da margem de 2,50 metros.
Preparo de abrigos e estratégia de contingência
Diante da possibilidade de subida das águas, a prefeitura organizou uma logística de retaguarda para eventuais remoções. Duas estruturas de acolhimento foram preparadas para receber famílias caso a situação se agrave: um abrigo no bairro Petrópolis, voltado especificamente para as comunidades das Ilhas, e outro na região da Restinga, destinado a moradores do Extremo Sul da cidade.
A Defesa Civil municipal intensificou o trabalho de campo, reforçando orientações preventivas junto às populações que residem em áreas de risco. A estratégia é garantir que, caso a evolução do nível do Guaíba torne a evacuação uma medida necessária, a rede de proteção social esteja pronta para o atendimento imediato. Uma nova rodada de atualizações hidrológicas está agendada para a manhã desta quinta-feira (23), o que deve definir os próximos passos da operação.
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Fonte: agorars.com
