Tradição secular em risco: Nova York decide banir passeios de charrete

Tradição secular em risco: Nova York decide banir passeios de charrete

Economia

Se você já caminhou pelas imediações do Central Park, provavelmente cruzou com as tradicionais carruagens puxadas por cavalos que transportam turistas por cenários emblemáticos de Nova York. Operando desde 1800, essa atividade turística centenária tem data marcada para encerrar suas atividades na ilha de Manhattan.

A partir de 1º de junho de 2028, a metrópole americana pretende proibir definitivamente a circulação dessas charretes. A decisão coroa anos de debates acalorados entre ativistas dos direitos dos animais, trabalhadores do setor e autoridades políticas locais.

Aprovação legislativa e o futuro dos trabalhadores

A medida foi aprovada pelo Conselho Municipal de Nova York em 22 de outubro, registrando 40 votos favoráveis e 7 contrários. O prefeito Zohran Mamdani manifestou intenção de sancionar o projeto, que prevê um período de transição para os profissionais e determina diretrizes para o destino dos animais envolvidos na operação.

Atualmente, cerca de 180 cavalos integram a atividade turística, que também envolve aproximadamente 150 condutores e 68 licenças ativas para carruagens. Estima-se que os profissionais tenham ganhos anuais entre US$ 65 mil e US$ 70 mil, variando conforme comissões de corridas e gorjetas, muitas vezes sem benefícios trabalhistas básicos.

Tradição, custos e os riscos no trânsito urbano

Para os visitantes que planejam viajar para Nova York, o passeio de charrete custa a partir de US$ 95 para trajetos curtos de 20 minutos, podendo alcançar US$ 160 ou mais em percursos de 45 minutos. No entanto, o fluxo intenso de veículos nas ruas da cidade gera preocupações crescentes sobre a segurança.

Defensores do bem-estar animal argumentam que o tráfego pesado, a exposição a altas temperaturas e a rotina exaustiva colocam a integridade dos animais em risco constante. Por outro lado, representantes do setor sustentam que os animais recebem cuidados veterinários rigorosos e cumprem normas municipais de frequência e carga de trabalho.

Acidentes graves e o impacto na opinião pública

A pressão pela proibição ganhou força definitiva após tragédias recentes. Em junho de 2026, o turista indiano Romanch Mahajan, de 18 anos, morreu em decorrência de um incidente quando o cavalo disparou na via pública após o condutor se afastar para fotografar a própria família.

O episódio deu origem à legislação apelidada de Romanch’s Law, impulsionada pela própria família enlutada. Anos antes, em 2022, a repercussão de um cavalo idoso que colapsou no asfalto evidenciou fraudes em registros de idade e estimulou debates públicos sobre a exploração comercial dos animais na indústria do turismo.