Impacto das perdas gestacionais na produção de leitões e na rentabilidade da suinocultura

Impacto das perdas gestacionais na produção de leitões e na rentabilidade da suinocultura

Agro

As perdas gestacionais representam um desafio significativo para a suinocultura, impactando diretamente a eficiência reprodutiva e a rentabilidade do setor. Compreender as causas dessas perdas é essencial para melhorar a saúde das matrizes e aumentar o número de leitões desmamados por fêmea ao ano.

A mortalidade embrionária, os fetos mumificados e os natimortos são algumas das consequências mais preocupantes. Esses fatores não apenas reduzem o potencial reprodutivo do plantel, mas também elevam os custos de produção, tornando a atividade menos viável economicamente. Segundo Fernando Zimmer, zootecnista da Auster Nutrição Animal, as causas podem ser variadas, incluindo problemas relacionados ao macho, à fêmea, ao embrião, a agentes infecciosos ou às condições de manejo.

Classificação das perdas gestacionais

As perdas gestacionais podem ser classificadas em diferentes categorias, dependendo do momento em que ocorrem. Até o 35º dia de gestação, as perdas são consideradas mortalidade embrionária, onde os embriões são absorvidos pelo organismo da matriz e não aparecem na contagem ao parto. Após esse período, as perdas são classificadas como mortes fetais, que podem resultar em fetos mumificados, onde a matriz não aborta, mas os fetos permanecem no útero.

As mortes que ocorrem após os 90 dias são associadas à natimortalidade, e a correta identificação entre essas categorias é crucial para entender as causas e implementar medidas corretivas adequadas. A distinção entre mortalidade embrionária, mumificação e natimortalidade ajuda a direcionar as intervenções necessárias dentro da granja.

Causas das perdas gestacionais

As causas das perdas gestacionais podem ser divididas em dois grupos: infecciosas e não infecciosas. Entre as causas infecciosas, destacam-se o circovírus suíno, o parvovírus, a bactéria Leptospira sp., a Brucella suis e o vírus da doença de Aujeszky. Embora menos frequentes, essas causas exigem atenção especial devido ao seu potencial de comprometer o desempenho reprodutivo e a saúde do plantel.

Por outro lado, as causas não infecciosas são mais comuns e geralmente estão relacionadas ao manejo, às condições ambientais e à alimentação. Fatores como genética, alta prolificidade, ordem de parto elevada e escore corporal inadequado da matriz no momento da cobertura podem influenciar diretamente nas taxas de perda. Além disso, estresse, condições ambientais desfavoráveis e ingestão insuficiente de água também são pontos críticos a serem monitorados.

Medidas para redução das perdas

A redução das perdas gestacionais começa com um registro detalhado das ocorrências. Classificar corretamente os fetos mumificados e natimortos possibilita relacionar os problemas ao período da gestação e identificar falhas sanitárias, nutricionais ou operacionais. Acompanhamentos regulares do consumo de água e alimentos, bem como a qualidade das rações e a assistência durante os partos, são fundamentais.

Zimmer ressalta que estratégias de manejo, nutrição equilibrada e controle sanitário são determinantes para melhorar o desempenho reprodutivo. Com um acompanhamento técnico adequado e indicadores bem estruturados, é possível identificar os principais riscos, adotar medidas corretivas e aumentar a quantidade de leitões produzidos e desmamados por fêmea ao ano.

Assim, a suinocultura pode se tornar mais eficiente e rentável, contribuindo para a sustentabilidade do setor e a segurança alimentar.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br