Petróleo Brent avança para US$ 97 sob pressão de conflitos no Oriente Médio

Petróleo Brent avança para US$ 97 sob pressão de conflitos no Oriente Médio

Geral

O mercado global de energia iniciou a semana sob forte tensão geopolítica, refletindo diretamente nas cotações das commodities. Nesta segunda-feira (7), o petróleo tipo Brent encerrou o pregão com alta de 0,75%, sendo negociado a US$ 97,00 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. O movimento de valorização ocorre em um cenário de instabilidade acentuada após uma nova rodada de ataques e contra-ataques envolvendo Estados Unidos e Irã durante o último fim de semana.

A escalada das hostilidades, somada a relatos de danos em instalações da Saudi Aramco na região de Jizan, na Arábia Saudita, impulsionou a busca por proteção no mercado financeiro. Embora a liquidez tenha sido reduzida devido a um feriado nos Estados Unidos, a pressão compradora manteve o Brent próximo da marca psicológica de US$ 100, um patamar que analistas monitoram com cautela como um possível teto de curto prazo caso a crise logística se agrave.

Impactos no Estreito de Ormuz e rotas marítimas

O epicentro da preocupação dos investidores permanece no Estreito de Ormuz, uma das artérias mais críticas para o escoamento global de petróleo. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã emitiu alertas sobre riscos de ataques nas proximidades de Khasab, em Omã, e determinou que embarcações sigam corredores específicos monitorados por Teerã. A possibilidade de criação de uma zona restrita e sanções a navios que desobedeçam às diretrizes iranianas adiciona uma camada de incerteza sobre o fornecimento mundial.

Dados de monitoramento marítimo corroboram o clima de cautela. Na última semana, o tráfego no Estreito de Ormuz registrou uma queda de 28%, totalizando 77 navios, enquanto o número de carregamentos de petróleo caiu de 45 para 33. Esse redirecionamento logístico força o mercado a buscar rotas alternativas, como o estreito de Bab el-Mandeb, que apresentou aumento de tráfego, enquanto o Canal do Panamá enfrenta restrições operacionais devido aos baixos níveis de água, limitando o trânsito a 27 navios por dia.

Perspectivas de mercado e oferta global

Analistas da Kotak Securities destacam que, além da geopolítica, a dinâmica de estoques globais e o preço dos produtos refinados dão sustentação aos valores atuais. A interrupção prolongada nos fluxos de petróleo bruto, caso se torne uma realidade sustentada, é o principal gatilho apontado pelo mercado para que o Brent ultrapasse a barreira dos US$ 100 por barril. Durante a manhã, o contrato chegou a atingir US$ 98,06, o maior nível desde o dia 3 de junho.

A volatilidade também atingiu o petróleo WTI, que operava em alta de 1,3%, cotado a US$ 92,68 por barril por volta das 14h30. O mercado segue atento às declarações oficiais de Washington e Teerã, especialmente após a negação por parte das Forças Armadas dos EUA sobre o suposto ataque a um navio militar americano, conforme alegado pelas autoridades iranianas.

O cenário permanece em aberto, exigindo atenção constante dos agentes econômicos e consumidores. Para acompanhar os desdobramentos desta crise e como ela impacta a economia global, continue lendo o Conexrs. Nosso compromisso é trazer informações precisas, contextuais e relevantes sobre os temas que movimentam o Brasil e o mundo.

Fonte: canalrural.com.br