O vereador Lucas Pavanato, atualmente candidato a deputado federal pelo PL, trouxe à tona um debate central sobre a comunicação política contemporânea: a dificuldade de fazer com que propostas legislativas alcancem o mesmo alcance viral que confrontos ideológicos. Reconhecido como um dos nomes com maior engajamento digital no Brasil, Pavanato afirma que a dinâmica das plataformas digitais privilegia o embate em detrimento do conteúdo programático.
A lógica do algoritmo e a estratégia de comunicação
Com 5,1 milhões de seguidores no Instagram, Pavanato ocupa o terceiro lugar em rankings de engajamento político, ficando atrás apenas do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e da candidata ao Senado Michelle Bolsonaro. Em entrevista ao podcast A Máquina, da Folha de S.Paulo, o parlamentar explicou que a alternância de formatos — que inclui humor, entrevistas de rua e experimentos sociais — é fundamental para manter a audiência ativa e evitar a monotonia.
Para o candidato, a tentativa de regulação das redes sociais no país é vista como uma forma de controle por parte de setores que não dominam a linguagem digital. “Existe um incômodo do centro e da esquerda porque eles não sabem usar as redes sociais como a gente, e querem sufocar essa concorrência para manter o monopólio de comunicação deles”, argumentou. Segundo ele, a alegação de que o algoritmo favorece a direita seria apenas uma justificativa para a falta de traquejo digital de seus adversários.
Autenticidade contra o modelo protocolar
Um dos pilares da estratégia de Pavanato é a busca pela autenticidade, que ele contrasta com o estilo da mídia tradicional. Enquanto o jornalismo convencional mantém um tom mais cauteloso e protocolar, o público das redes sociais, segundo o vereador, busca uma comunicação direta e sem filtros. “Tento ser o mais autêntico possível nos meus vídeos, não poupo opiniões, os advogados ficam de cabelo em pé comigo, mas eu tento ser o mais sincero possível”, afirmou.
O uso da ironia também aparece como uma ferramenta central para capturar a atenção do eleitorado. Ao comparar sua atuação com a de figuras históricas, como Carlos Lacerda, o político reforça que a performance digital é, hoje, um dos principais vetores de influência política. Embora reconheça a importância de formatos longos, como os produzidos por nomes como Gustavo Gayer, ele admite que o foco de sua produção permanece no Instagram, plataforma que considera mais versátil para a replicação de conteúdos.
O desafio da militância e a disputa de narrativas
Ao analisar o cenário oposto, Pavanato observa que a esquerda enfrenta dificuldades para replicar o mesmo modelo de engajamento orgânico. Ele aponta que, quando setores progressistas conseguem relevância nas redes, isso ocorre via estratégias de militância organizada, como a mobilização coordenada de canais de apoiadores para transmissões ao vivo. Esse modelo, contudo, difere da abordagem baseada na figura do influenciador político que ele defende.
A discussão sobre como a política é consumida digitalmente coloca em evidência a transformação do papel do parlamentar. Se antes o mandato era medido essencialmente pela produção legislativa, hoje a capacidade de pautar o debate público nas redes sociais tornou-se um ativo eleitoral de primeira ordem. O desafio, como aponta o próprio Pavanato, permanece em equilibrar o alcance viral com a entrega efetiva de resultados para a população, um dilema que define a política brasileira atual.
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Fonte: redir.folha.com.br
