A deputada estadual eleita Sofia Favero (PSOL), terceira mais votada para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) com 407.773 votos, defende uma atuação parlamentar focada em demandas estruturais. Em um cenário político marcado pela polarização, a parlamentar sustenta que o debate sobre temas como o pronome neutro é uma estratégia da extrema direita para desviar a atenção de problemas urgentes da população.
Com uma trajetória acadêmica sólida como doutora em psicologia pela UFRGS, Favero destaca que o mandato terá como prioridades a habitação, a geração de trabalho digno, o fortalecimento da saúde pública e o investimento em educação técnica, citando especificamente a defesa das Fatecs e Etecs. Para a deputada, a insistência de adversários em pautas morais serve apenas para mascarar a ausência de propostas concretas para o desenvolvimento do estado.
Trajetória e representatividade na política paulista
O desempenho eleitoral de Sofia Favero foi um dos destaques do pleito, posicionando-a logo atrás de Eduarda Campopiano (PL) e Eduardo Suplicy (PT). A eleição da parlamentar, que contou com o apoio estratégico de Erika Hilton, é vista por ela como um sinal de que o eleitorado paulista busca representatividade real e um contraponto à hipocrisia política. “Existe uma parcela da população paulista que quer travestis representando-as”, afirma.
A projeção nacional da deputada começou há mais de uma década, quando criou a página Travesti Reflexiva. O projeto surgiu da necessidade de oferecer uma narrativa diferente sobre a vivência de pessoas trans, que, na época, eram retratadas nos buscadores de internet quase exclusivamente através de notícias de violência ou conteúdo erótico. O espaço, que chegou a reunir 200 mil seguidores, utilizou o humor e a vivência comunitária para politizar o debate e humanizar a experiência travesti.
Desafios partidários e o futuro do PSOL
Apesar do sucesso individual de suas candidaturas, o PSOL enfrenta um momento delicado. O partido não atingiu a cláusula de barreira, o que implica a perda de acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda gratuita em rádio e TV. A situação gerou tensões internas, com lideranças como Erika Hilton questionando publicamente a estratégia de distribuição de recursos da legenda.
Questionada sobre possíveis mudanças de rumo ou uma eventual saída da sigla, Sofia Favero adota uma postura cautelosa. Ela reafirma sua admiração pela trajetória do partido e prefere focar na articulação do mandato que se inicia. “É muito cedo para pensar nisso”, pontua, demonstrando otimismo quanto à capacidade do PSOL de superar os desafios institucionais impostos pelo desempenho eleitoral recente.
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Fonte: redir.folha.com.br

