O mercado brasileiro de frango registrou alta de preços no atacado e nas negociações de animais vivos ao longo da semana, em meio ao acompanhamento dos efeitos comerciais do foco de doença de Newcastle em Santa Catarina. Segundo Allan Maia, analista de Safras & Mercado, as cotações seguem sustentadas no Centro-Sul, enquanto o Nordeste apresenta maior desequilíbrio entre oferta e demanda.
No comércio exterior, as informações apresentadas na análise indicam restrições concentradas na produção catarinense. Entre os mercados que adotaram medidas, a China optou pela regionalização do embargo, preservando as compras de produtos avícolas originados nos demais estados brasileiros. Esse cenário reduz o alcance das restrições sobre as exportações nacionais, mas mantém a atenção sobre o escoamento da produção de Santa Catarina e o possível direcionamento de volumes ao mercado interno.
Impacto sanitário e o equilíbrio nas exportações de carne avícola
A participação catarinense na produção e nas exportações de carne de frango torna os desdobramentos sanitários relevantes para o equilíbrio do mercado. Embora a regionalização dos embargos preserve os embarques de outros estados, eventuais dificuldades nas vendas externas de Santa Catarina podem ampliar a disponibilidade de produto no Brasil. Caso esse redirecionamento ocorra, poderá limitar novos reajustes no curto prazo.
A atuação das autoridades sanitárias é importante para a contenção do foco e o restabelecimento das condições de acesso aos mercados. A retomada das compras, entretanto, depende da evolução sanitária e das decisões dos países importadores. Nesse ambiente, a análise de mercado reforça a importância de manter os alojamentos de pintainhos ajustados à demanda, evitando uma expansão antecipada da produção durante um período de incerteza para os embarques.
Comportamento dos preços no atacado e aves vivas
No atacado, o analista identifica uma relação equilibrada entre oferta e demanda, que favoreceu as altas da semana. A segunda quinzena costuma apresentar menor impulso ao consumo, mas a vantagem de preço do frango em relação à carne bovina contribui para sustentar as vendas, mesmo em um ambiente de maior cautela dos compradores. A evolução das cotações dependerá, entre outros fatores, do consumo doméstico e do volume de produtos catarinenses eventualmente destinado ao mercado brasileiro.
O levantamento de Safras & Mercado mostrou valorização do peito e da asa de frango congelados em São Paulo, enquanto a coxa permaneceu estável. Na distribuição, o peito passou de R$ 9,75 para R$ 10,05 por quilo. A coxa permaneceu em R$ 8,00, enquanto a asa avançou de R$ 13,00 para R$ 13,50. Entre os produtos resfriados, o movimento foi semelhante, com aumento do peito e da asa, enquanto a coxa manteve os valores anteriores.
O preço do frango vivo em São Paulo avançou de R$ 5,70 para R$ 5,80 por quilo na comparação semanal. No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul e Goiás registraram aumento de R$ 5,40 para R$ 5,45 por quilo, enquanto no Distrito Federal e em Minas Gerais a cotação passou de R$ 5,45 para R$ 5,50. Nas integrações do Sul e nas praças acompanhadas do Ceará, Pernambuco e Pará, os preços ficaram estáveis.
Desempenho da balança comercial e o cenário externo
As exportações brasileiras de carne de aves e miudezas comestíveis geraram US$ 561,728 milhões nos primeiros 11 dias úteis de outubro, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O volume embarcado alcançou 292,969 mil toneladas, com média diária de 26,633 mil toneladas e preço médio de US$ 1.917,40 por tonelada.
Os resultados mostram expansão dos embarques na parcial disponível. Os próximos levantamentos permitirão acompanhar como as restrições à produção catarinense poderão repercutir nas vendas externas e na disponibilidade de carne de frango no mercado doméstico ao longo das próximas semanas.

