O mercado brasileiro de soja iniciou o encerramento desta semana com um movimento de retração nos preços, pressionado diretamente pelo cenário internacional. Nesta sexta-feira (11), as cotações nas principais praças do país registraram quedas, refletindo a reação negativa dos investidores ao mais recente relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que frustrou as expectativas de uma redução mais acentuada nos estoques norte-americanos.
A influência da Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) foi determinante para o comportamento dos preços internos. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o mercado aguardava um ajuste mais agressivo na oferta dos Estados Unidos, o que não se confirmou. Como resultado, fundos de investimento optaram por realizar lucros, ajustando posições compradas e provocando uma queda de quase 3% nas cotações durante a sessão.
Impacto direto nas praças brasileiras e comportamento do produtor
O reflexo dessa instabilidade externa foi sentido de forma imediata no mercado físico brasileiro. Nos portos, o recuo variou entre R$ 2,00 e R$ 3,00 por saca, com ajustes também observados em diversas regiões produtoras. Em praças como Passo Fundo (RS) e Santa Rosa (RS), os valores caíram para R$ 153,00 e R$ 154,00, respectivamente. Em Cascavel (PR), a saca passou a ser cotada a R$ 149,00, enquanto em Rondonópolis (MT) e Dourados (MS), o preço recuou para R$ 145,00.
Apesar da pressão baixista, a estrutura de negociações permaneceu com pouca alteração. O produtor brasileiro, mantendo uma postura de cautela, continua firme e demonstra pouco ímpeto para comercializar o volume restante da safra disponível. O cenário atual é de um mercado travado, onde a queda nas bolsas internacionais encontra resistência na estratégia de retenção adotada pelos agricultores.
O peso do relatório do USDA e a reação de Chicago
A divulgação do relatório de setembro do USDA foi o ponto de virada para o mercado. Ao contrário do que previam os analistas, o órgão elevou a estimativa para a safra norte-americana de 2026/27, projetando 4,535 bilhões de bushels, ou 123,4 milhões de toneladas. A produtividade também sofreu um leve ajuste, passando de 53 para 52,7 bushels por acre.
Essa elevação na oferta esperada, somada a estoques finais projetados acima das expectativas do mercado, desfez o otimismo que sustentava os preços nos últimos dias. Antes do anúncio, os contratos futuros em Chicago haviam atingido patamares elevados, impulsionados pela demanda chinesa e pela valorização do petróleo. Com a divulgação dos dados, houve uma reversão brusca, levando os contratos de novembro a fecharem com baixa de 2,68%, cotados a US$ 12,96 1/2 por bushel.
Variáveis cambiais e perspectivas futuras
O câmbio também desempenhou um papel secundário no dia, com o dólar comercial encerrando em alta de 0,43%, cotado a R$ 5,1235. Embora a moeda norte-americana tenha registrado valorização, o movimento não foi suficiente para compensar a forte queda observada nas bolsas internacionais, que pesou significativamente sobre a formação dos preços internos.
O mercado agora observa como a demanda global, especialmente por parte da China, se comportará diante desses novos números de oferta. A expectativa de encontros diplomáticos entre líderes globais e a dinâmica do setor de subprodutos, como o farelo e o óleo de soja, seguem no radar dos agentes econômicos. O Conexrs continua acompanhando de perto os desdobramentos da safra e as movimentações do agronegócio, trazendo sempre uma análise contextualizada para que você se mantenha bem informado sobre os rumos do setor produtivo brasileiro.
Fonte: canalrural.com.br
