Neutralidade como estratégia política
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), reeleita no último dia 4 de outubro, reafirmou sua posição de não declarar voto ou apoio a qualquer candidato na disputa pela presidência da República. Em entrevista concedida nesta quarta-feira (7) no Palácio do Campo das Princesas, em Recife, a gestora enfatizou que a decisão mantém a coerência adotada desde o pleito de 2022.
Segundo a governadora, tanto a campanha de Lula (PT) quanto a de Flávio Bolsonaro (PL) buscaram interlocução com ela durante o segundo turno. O próprio presidente Lula teria entrado em contato telefônico. Apesar das investidas, Lyra sustenta que sua prioridade é a gestão estadual e a manutenção de uma postura que permita o diálogo com o futuro governo federal, independentemente do vencedor.
Foco na pacificação nacional
Ao analisar o cenário político brasileiro, a governadora defendeu que o próximo mandato presidencial deve ser pautado pela pacificação. Para ela, o debate público atual está excessivamente concentrado em pautas punitivas, como a discussão sobre o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o que, em sua visão, desvia o foco das necessidades reais da população.
“A Constituição prevê tudo. Quem cometeu qualquer tipo de irregularidade ou irresponsabilidade deve responder dentro do devido processo legal”, pontuou. Lyra reforçou que, embora a polarização seja um fato inegável no país, o eleitorado não está necessariamente refém desse embate, buscando soluções práticas para os problemas do cotidiano.
Balanço do desempenho eleitoral em Pernambuco
Questionada sobre o desempenho do PSD, partido que preside no estado, a governadora celebrou os resultados locais, mesmo diante de um cenário de perda de musculatura da legenda em âmbito nacional. Com a vitória expressiva no primeiro turno, onde superou o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) com 53,3% dos votos, Lyra consolidou o PSD como uma força dominante em Pernambuco.
A governadora destacou a eleição de uma bancada robusta na Assembleia Legislativa e a conquista de 80 prefeituras como provas da solidez da sigla. Sobre a dificuldade em eleger aliados para o Senado, Lyra atribuiu o resultado à conjuntura política e à influência da polarização nacional, que acaba por moldar as escolhas do eleitorado na composição das casas legislativas federais.
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Fonte: redir.folha.com.br

