Flamengo, Corinthians e Palmeiras tiveram os maiores impactos em suas receitas devido ao veto às bets no Brasil, segundo levantamento produzido pelo economista Cesar Grafietti a pedido da reportagem.
Os cálculos, realizados a partir do Relatório Convocados, também produzido por Grafietti e publicado em maio, consideram a saída dos valores de patrocínios e também das placas em relação à receita recorrente dos dez clubes com os maiores patrocínios de casas de apostas na Série A. Receitas recorrentes são consideradas aquelas de alta previsibilidade, e, por isso, não foram incluídas cifras de transferência de atletas e premiação da Copa do Mundo de Clubes de 2025 no levantamento.
Impacto nas contas dos gigantes do futebol
O Flamengo lidera a lista, com queda de 26% nas receitas. O clube tinha R$ 1,3 bilhão e, com a perda de R$ 334,5 milhões em patrocínio e placas, a receita ajustada ficou em R$ 967,2 milhões.
Na sequência está o Corinthians (-23%), que baixou de R$ 879,4 milhões para R$ 681,4 milhões, com perdas de R$ 198 milhões, ao todo. O Palmeiras perde 22%: de R$ 733 milhões para R$ 570 milhões, após deixar de ganhar R$ 163 milhões em patrocínio e placas.
Responsável pelo levantamento, Grafietti observa que o cenário é de despreparo diante de tamanhas perdas de receita, não só para aqueles com as reduções mais drásticas.
Busca por alternativas e adaptação no mercado
Quase um mês após o veto do governo federal, o cenário permanece de incerteza e apreensão entre os clubes ouvidos pelo UOL: as preocupações variam entre se preparar para uma queda abrupta nos ganhos a partir de janeiro, encontrar patrocinadores pontuais e, principalmente, esperar pela aprovação ou não da MP na Câmara.
Com a atual conjuntura, há clubes procurando formas de driblar a medida do governo, como Fluminense e São Paulo, que antes tinham a Superbet como máster e usarão, temporariamente, a Superscore no lugar.
Há outros, como Santos e Corinthians, que anunciam patrocínios pontuais – o primeiro, até o fim do ano, e o segundo, por jogo. Já o Palmeiras mantém vigente seu contrato com a Sportingbet, embora não a utilize no patrocínio.
Contexto regulatório e repercussão econômica
Institucionalmente, o Flamengo é um dos clubes que mais se opõem ao veto: logo após o anúncio da MP, o Rubro-Negro emitiu um comunicado contra o veto integral, o qual considera atingir todo o esporte, não apenas os clubes mais ricos. O clube acionou o STF para derrubar a proibição.
Um estudo recente do Ibope apontou que, sobretudo devido ao ajuste regulatório do setor, houve um recuo de 18% nos patrocínios de casas de aposta aos clubes brasileiros entre 2024 e 2026, caindo de 17 para 14 contratos – anterior ao veto do mês passado.
No ano passado, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as apostas esportivas (bets), registrando uma média de R$ 4,7 bilhões mensais entre outubro de 2024 e março de 2026, segundo o Boletim Fiscal dos Estados do Comsefaz. Nesse período, as transações via Pix movimentadas pelas casas de apostas somaram quase R$ 351 bilhões.

