Reviravolta na estratégia eleitoral mineira
Após um período de intensas negociações e incertezas, o Republicanos decidiu reverter sua posição e lançar o senador Cleitinho Azevedo como candidato ao Governo de Minas Gerais. A definição ocorreu nesta sexta-feira (7), após uma reunião decisiva entre o parlamentar e o presidente nacional da sigla, o deputado Marcos Pereira (SP). O movimento encerra um ciclo de indefinições que movimentou os bastidores da política mineira nas últimas semanas.
A oficialização da chapa, que deve ocorrer nos próximos dias, marca o desfecho de um processo marcado por idas e vindas. O nome anteriormente escolhido pela legenda para a disputa, o ex-prefeito de Patos de Minas Luis Eduardo Falcão, atuou como peça-chave na articulação para que o senador reassumisse a cabeça da chapa, consolidando um alinhamento interno em torno do nome de Cleitinho.
O peso das pesquisas e a influência de Cleitinho
A decisão da cúpula do partido passa, inevitavelmente, pelo desempenho eleitoral do senador. Segundo levantamento da Quaest divulgado em 28 de julho, Cleitinho aparece como líder isolado na corrida pelo Palácio da Liberdade, registrando 35% das intenções de voto no primeiro turno. O índice o coloca 23 pontos percentuais à frente de Alexandre Kalil (PDT), segundo colocado na sondagem, além de garantir vantagem em todos os cenários de segundo turno.
O cenário de favoritismo foi determinante para que o Republicanos repensasse sua estratégia. A cúpula partidária avaliou que a ausência de Cleitinho como candidato a governador poderia comprometer o desempenho da chapa proporcional no estado. Muitos candidatos a cargos legislativos filiaram-se à sigla sob a expectativa de que o senador fosse o principal cabo eleitoral da campanha em Minas Gerais.
Desafios e o processo de construção da candidatura
O caminho até a oficialização não foi linear. O senador mudou de posicionamento publicamente ao menos três vezes, gerando atritos internos. Em 18 de julho, após o falecimento de seu irmão, Matheus Azevedo, o parlamentar chegou a anunciar que não concorreria, citando razões de ordem familiar. Contudo, a pressão política e as conversas com a cúpula nacional levaram a uma nova mudança de rota.
O presidente nacional do partido, Marcos Pereira, chegou a repreender publicamente o senador após uma intervenção de Cleitinho na convenção nacional da legenda, realizada em 4 de agosto. Apesar do desgaste, Pereira destacou que a decisão final considerou a capacidade do senador em alavancar a bancada mineira e o amadurecimento do parlamentar em relação aos ritos partidários. O prazo final para o registro das candidaturas junto à Justiça Eleitoral é 15 de agosto.
Impactos no cenário nacional
A confirmação de Cleitinho na disputa estadual traz reflexos diretos para o cenário presidencial. O PL, partido de Jair Bolsonaro, apostava no nome do senador para impulsionar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Como Minas Gerais detém um dos maiores colégios eleitorais do país, a presença de um nome competitivo como o de Cleitinho na disputa estadual é vista como um fator estratégico para a mobilização de votos em favor dos aliados do ex-presidente.
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Fonte: redir.folha.com.br
