Paraná deve colher 22,75 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27 conforme projeção do Deral

Paraná deve colher 22,75 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27 conforme projeção do Deral

Geral

A produção de soja do Paraná na safra 2026/2027 está projetada em 22,75 milhões de toneladas, volume que representa um acréscimo de 4% em relação ao ciclo anterior. O levantamento foi divulgado nesta quinta-feira (29) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Para esta temporada, a área dedicada ao cultivo da oleaginosa no estado alcança 5,74 milhões de hectares.

Até o momento, o trabalho de semeadura da soja avançou e já atingiu 62% da área prevista em solo paranaense. Conforme o levantamento oficial, a grande maioria das lavouras recém-implantadas demonstra bom desenvolvimento, com 88% das plantações em boas condições, enquanto 11% figuram em situação média e apenas 1% apresenta aspecto ruim.

Avanço do plantio e o comportamento climático

De acordo com Larissa Nahirny, coordenadora da Divisão de Estatísticas do Deral, os fatores climáticos exercem influência direta sobre os resultados agrícolas no estado. Enquanto as intempéries causaram impactos severos nas lavouras de inverno, o desempenho das culturas de verão permanece condicionado às oscilações meteorológicas previstas para os próximos meses.

Enquanto a soja demonstra resiliência, o cenário para os grãos de inverno foi de forte retração. A produção paranaense dessas culturas foi estimada em 2,84 milhões de toneladas, um recuo de 28% na comparação com 2025, período em que o volume colhido alcançou aproximadamente 3,9 milhões de toneladas. O revés decorre do excesso de chuvas registrado durante as fases de desenvolvimento e colheita.

Impactos na cultura do trigo e demais grãos

O setor trigueiro sentiu com intensidade os reflexos do clima adverso. A colheita de trigo está projetada em 1,9 milhão de toneladas, o que configura uma queda de 34% frente às 2,88 milhões de toneladas obtidas no ano anterior. A retração foi impulsionada por uma diminuição de 12% na área cultivada e pela perda na produtividade média, calculada em 44 sacas por hectare, abaixo das 54 sacas registradas no ciclo prévio.

Em contrapartida, outras culturas registram dinâmicas distintas. A canola desponta com perspectiva de dobrar o volume produzido no estado, impulsionada pela ampliação da área de plantio. Já no milho primeira safra 2026/27, o ritmo de semeadura alcançou 94% dos mais de 372 mil hectares previstos, gerando uma expectativa de colheita de 4,08 milhões de toneladas, com 78% da área em boas condições fitossanitárias.

Pressão nos custos da pecuária estadual

O Boletim Conjuntural da semana 44 elaborado pelo Deral também apontou um desequilíbrio financeiro na atividade pecuária, com forte pressão dos custos de produção sobre a avicultura e a suinocultura paranaenses. Em setembro, o dispêndio necessário para produzir um quilo de frango vivo atingiu R$ 4,96, patamar superior à média recebida pelos criadores, fixada em R$ 4,75.

Um cenário semelhante foi verificado na cadeia de suínos. O custo operacional para a produção de um quilo de carne suína chegou a R$ 6,13, ao passo que o valor médio pago ao produtor ficou restrito a R$ 5,17, evidenciando as margens estreitas enfrentadas pelos produtores rurais locais no período.