Sangria na bolsa castiga varejo e construção civil, aponta relatório da EQI

Sangria na bolsa castiga varejo e construção civil, aponta relatório da EQI

Economia

A combinação de dólar em alta, juros futuros nas alturas e incertezas fiscais colocou as ações brasileiras sob forte pressão. Embora o movimento tenha atingido boa parte dos ativos da bolsa, algumas empresas sentiram o impacto muito mais do que outras, especialmente aquelas mais dependentes do consumo e do crédito no mercado doméstico.

É o que mostra um relatório da EQI Research, que analisou o desempenho dos ativos brasileiros após a eleição presidencial e os reflexos do cenário macroeconômico sobre diferentes setores da B3.

Segundo o levantamento, o real perdeu cerca de 7,5% de seu valor frente ao dólar desde a eleição, enquanto os juros futuros avançaram aproximadamente 2,1 pontos percentuais ao longo da curva. A reação do mercado foi intensa logo na abertura do primeiro pregão após o resultado eleitoral.

Varejo e construção civil estão entre os setores mais castigados

A pressão não foi distribuída igualmente pela bolsa. Os setores mais ligados à atividade econômica doméstica apareceram entre os principais prejudicados no levantamento da EQI Research.

O índice de imobiliário e construção civil acumulou queda de 33,6%, enquanto o indicador de consumo e varejo recuou 28,6%. Já o índice financeiro registrou desvalorização de 26,3%, refletindo a cautela generalizada dos investidores.

Na outra ponta, materiais básicos tiveram um desempenho relativamente mais resiliente, com baixa de 3,4%. A diferença ilustra como a exposição ao mercado internacional pode oferecer proteção adicional quando o real perde valor.

Carteira da EQI cai em outubro, mas escapa de tombo maior

A turbulência também chegou à carteira Buy & Hold acompanhada pela EQI Research. Em outubro, o portfólio registrou queda de 8,36%, ficando abaixo do desempenho do Ibovespa, que recuou 5,70% no período.

Por outro lado, a carteira conseguiu superar o índice de small caps, que terminou o mês com perda de 10,71%. Entre os destaques positivos, a Petrobras avançou 7,47% e foi a principal contribuição favorável da carteira.

Do lado negativo, a Equatorial, a Localiza e a Allos foram os principais detratores do desempenho no mesmo intervalo, pesando sobre o resultado consolidado do portfólio.

Bolsa está barata? O que diz o valuation do Ibovespa

Apesar da deterioração do cenário macroeconômico, a EQI também chama atenção para os preços atuais das ações brasileiras. De acordo com o estudo, o múltiplo preço/lucro projetado para os próximos 12 meses do Ibovespa estava em 7,9 vezes.

O indicador está próximo de um desvio-padrão abaixo da média histórica de 20 anos e em linha com a média dos últimos cinco anos. Em outras palavras, a bolsa negocia a múltiplos relativamente baixos quando comparada a parte de seu histórico.

No entanto, a casa de análise ressalta que a composição do Ibovespa influencia o valuation. Empresas mais maduras passaram a representar uma parcela maior do índice, o que exige cautela antes de interpretar o indicador como um sinal inequívoco de oportunidade.