O protocolo de biossegurança na pecuária leiteira
A prática de separar o bezerro da mãe logo após o nascimento é um dos temas que mais geram curiosidade e questionamentos no setor agropecuário. Embora possa parecer uma medida drástica à primeira vista, especialistas reforçam que o procedimento é, na verdade, um protocolo de biossegurança fundamental para garantir a sobrevivência e o desenvolvimento saudável dos animais em sistemas de produção intensiva.
O zootecnista Guilherme Marquez, especialista em gado de leite, explica que essa estratégia é considerada o “padrão ouro” na gestão de fazendas leiteiras modernas. A medida não visa apenas a produtividade, mas atua diretamente na redução das taxas de mortalidade no bezerreiro, criando um ambiente controlado e protegido para o neonato.
A genética e a habilidade materna
Um fator determinante para essa prática reside na seleção genética das raças leiteiras, como a Holandesa e a Jersey. Ao longo de décadas, esses animais foram selecionados com foco quase exclusivo na alta produção de leite, o que resultou, em muitos casos, na diminuição da habilidade materna natural quando comparadas a raças de corte.
Deixar o bezerro solto no pasto com a vaca, sem supervisão constante, expõe o animal a uma série de riscos evitáveis. Entre os principais perigos estão as variações climáticas, o risco de pisoteio, a contaminação do umbigo por patógenos presentes no solo e, principalmente, a falha na ingestão do colostro, que é o primeiro e mais importante alimento para a imunidade do recém-nascido.
Garantia de saúde e imunidade
A separação imediata permite que o produtor assuma o controle total sobre o protocolo de colostragem. Ao garantir que o bezerro receba a quantidade correta de colostro no tempo adequado, a fazenda assegura que o animal desenvolva uma barreira imunológica robusta contra doenças comuns da fase inicial de vida.
Após esse período crítico, os animais são alojados em baias individuais ou bezerreiros, onde o manejo sanitário é rigoroso. Esse ambiente limpo e monitorado é o que permite o desenvolvimento saudável até que o bezerro esteja apto a ser integrado a piquetes sociais, consolidando a base para que se torne uma futura matriz de alta produtividade.
Bem-estar animal e sustentabilidade
O conceito de bem-estar animal na pecuária moderna baseia-se na premissa de que uma vaca produtiva precisa estar saudável, livre de estresse e com todas as suas exigências biológicas atendidas. Ao isolar o bezerro, o produtor consegue monitorar individualmente o consumo de leite e o estado de saúde de cada indivíduo, algo impossível de ser feito com precisão em um sistema de criação extensiva.
Essa abordagem técnica, defendida por especialistas do Giro do Boi, demonstra que o manejo correto é o pilar de uma pecuária sustentável. Ao priorizar a sanidade do lote desde o nascimento, o produtor não apenas protege o investimento, mas garante a longevidade e a eficiência de todo o rebanho.
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Fonte: canalrural.com.br
