Servidores da Prefeitura de São Paulo relatam ter sido convocados para participar da manifestação em apoio à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na avenida Paulista. Quatro funcionários de diferentes áreas da gestão municipal sem ligação entre si disseram à reportagem, sob condição de anonimato, que foram avisados por secretários ou chefes de gabinete sobre a mobilização para o ato.
A situação gerou apreensão entre trabalhadores que preferem não se envolver em atividades partidárias, levantando discussões sobre os limites da participação de agentes públicos em atos políticos durante o expediente e fora dele. A administração municipal não respondeu de imediato aos questionamentos da imprensa sobre as denúncias.
relatos de pressão e listas de presença
De acordo com os depoimentos coletados, os avisos foram repassados de forma verbal por superiores hierárquicos, como secretários e chefes de gabinete. O cuidado na transmissão da mensagem busca evitar o registro formal de convocações, prática que encontra vedações na legislação eleitoral brasileira.
Entre os servidores, o receio recai principalmente sobre os cargos comissionados e funcionários de carreira que exercem funções gratificadas. Alguns relataram terem sido alertados sobre possíveis riscos de perda de função caso decidissem não comparecer à manifestação pública na capital paulista.
mensagens e articulação nos bairros
Registros obtidos durante a apuração indicam que a mobilização alcançou diferentes regiões da cidade. Em uma mensagem compartilhada entre profissionais da educação infantil na zona leste, havia menção a compensações de folga para incentivar a presença no evento de domingo.
A articulação envolveu reuniões preparatórias e encontros de alinhamento em locais estratégicos utilizados por lideranças políticas locais, evidenciando a tentativa de engajar a máquina administrativa e os quadros de funcionários em campanhas eleitorais de projeção nacional.
pedidos de engajamento e redes sociais
Durante encontros com apoiadores e servidores, lideranças municipais reforçaram a importância da participação ativa não apenas em atos presenciais, mas também no ambiente digital. O apelo incluiu o uso de adesivos em veículos e a publicação de conteúdos de apoio a candidatos nas redes sociais.
A repercussão dessas movimentações reacende o debate sobre a impessoalidade na administração pública e o uso de estruturas de governo em disputas eleitorais, um tema recorrente na política brasileira que mobiliza órgãos de controle e a sociedade civil.
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Fonte: redir.folha.com.br

