Soja em Mato Grosso enfrenta projeção de queda na produtividade para 2026/27

Soja em Mato Grosso enfrenta projeção de queda na produtividade para 2026/27

Agro

As lavouras de soja em Mato Grosso entram na temporada 2026/27 sob um cenário de cautela econômica e desafios agronômicos. Embora o estado deva registrar uma ampliação na área cultivada, as projeções oficiais indicam uma retração na produtividade média e no volume total colhido, pressionadas pelo encarecimento dos custos e por incertezas climáticas. O ambiente exige dos produtores rurais um planejamento financeiro rigoroso para preservar as margens operacionais.

O primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em 15 de outubro, aponta uma produção estadual estimada em 50,9 milhões de toneladas. O volume representa uma queda de 1,4% em relação ao ciclo anterior, o que equivale a cerca de 737 mil toneladas a menos, configurando a maior redução absoluta projetada entre os estados brasileiros.

Expansão de área e recuo nos rendimentos

Apesar da retração na colheita total, a área destinada à oleaginosa no território mato-grossense deve alcançar 13,08 milhões de hectares, registrando um crescimento de 0,6% na comparação anual. Contudo, a produtividade média calculada é de 3.889 quilos por hectare, ante 3.969 quilos obtidos na safra passada, o que representa um recuo de 2% no rendimento equivalente a cerca de 64,8 sacas de 60 quilos por hectare.

A perspectiva do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), elaborada em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT), apresenta um viés ainda mais conservador. O instituto projeta uma redução de 5,43% na produtividade, situando a média em 62,44 sacas por hectare e a produção total em 48,88 milhões de toneladas.

Pressão financeira e alta dos custos de produção

O principal fator de preocupação para os agricultores reside no forte avanço das despesas operacionais. De acordo com as estimativas do Imea, o custo total da lavoura deve subir 16,69% na safra 2026/27, atingindo o patamar de R$ 8.171,41 por hectare, impulsionado pela alta nos preços de fertilizantes, como os fosfatados, e do diesel.

Em contrapartida, o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Lajida) apresenta uma projeção de queda expressiva de 35,05%, recuando para R$ 1.069,47 por hectare. Essa combinação de custos elevados e margens operacionais mais estreitas obriga o setor a redobrar a atenção na gestão financeira das propriedades.

Estratégias de manejo e uso eficiente de recursos

Diante da menor disponibilidade de recursos, a tendência apontada por especialistas é a redução do pacote tecnológico tradicional. Contudo, analistas alertam que cortes indiscriminados podem provocar perdas superiores à economia gerada na aquisição de insumos agrícolas.

  • Realização de análises de solo detalhadas para diagnóstico nutricional preciso.
  • Direcionamento de fertilizantes estritamente às necessidades reais da lavoura.
  • Monitoramento constante das condições meteorológicas ligadas ao fenômeno El Niño.
  • Avaliação técnica rigorosa antes de qualquer alteração no manejo agronômico.

O sucesso da safra dependerá diretamente da capacidade de equilibrar o controle financeiro com a manutenção do potencial produtivo das plantas, tornando a eficiência de gestão o principal diferencial para os sojicultores mato-grossenses no período.