Tarifaço de Trump: por que o setor de proteína animal respira, mas o agro segue em alerta

Tarifaço de Trump: por que o setor de proteína animal respira, mas o agro segue em alerta

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A estratégia de Washington e o impacto no agronegócio brasileiro

O cenário de incertezas no comércio internacional ganhou um novo capítulo com a confirmação, pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), da aplicação de sobretaxas a uma vasta gama de produtos brasileiros. A medida, fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, entra em vigor no próximo dia 22 e reflete uma postura protecionista que tem colocado o mercado financeiro em estado de alerta.

Embora o anúncio de Donald Trump tenha gerado apreensão inicial, a lista de exceções trouxe um fôlego imediato para setores estratégicos. Itens fundamentais da pauta exportadora brasileira, como carne bovina, café e suco de laranja, foram poupados da nova taxação. Contudo, analistas da XP alertam que a ausência de tarifas no momento não significa imunidade permanente, recomendando cautela aos investidores.

Frigoríficos sob monitoramento constante

Para o setor de proteína animal, que inclui gigantes como JBS (JBSS32), MBRF (MBRF3) e Minerva (BEEF3), o impacto imediato foi mitigado pela isenção. Com a manutenção da alíquota atual de 26,4% para a carne bovina, a corretora não projeta mudanças estruturais drásticas no curto prazo para essas companhias.

Apesar disso, a avaliação é de que o risco político permanece elevado. A XP pontua que o governo norte-americano possui outros mecanismos de pressão, como exigências ambientais e normas de combate ao desmatamento, que podem ser utilizados como barreiras não tarifárias. Atualmente, a corretora mantém recomendação de compra para a JBS, com preço-alvo de R$ 89, projetando um potencial de valorização significativo, mas ressalta que o setor exige vigilância contínua.

O desafio estrutural para o setor de etanol

Diferente da percepção de transitoriedade que marcou as tarifas de 2025, o atual movimento é visto pelo mercado como uma mudança mais profunda e estrutural. Esse cenário coloca em evidência a Jalles (JALL3), que atua na exportação de açúcar e etanol. Os Estados Unidos representam o segundo maior destino do etanol brasileiro, movimentando cerca de US$ 163 milhões no último ano.

A preocupação central reside na perda de competitividade e na dificuldade de repasse de preços. Embora a recomendação para o papel continue sendo de compra, com potencial de alta de até 102%, a equipe de análise da XP adota um tom de cautela. A sensibilidade política do tema, agravada pelo ano eleitoral, limita as chances de uma resolução rápida para o impasse comercial, criando um ambiente de volatilidade para a empresa.

Motivações por trás das sanções comerciais

A decisão do USTR é o desdobramento de uma investigação que aponta supostas práticas desleais do Brasil em áreas como comércio digital, serviços de pagamento — incluindo o Pix — e proteção à propriedade intelectual. O governo norte-americano também questiona benefícios concedidos pelo Brasil a parceiros como Índia e México, alegando que tais condições prejudicam a isonomia comercial.

Em resposta, o governo brasileiro classificou a medida como injustificada e avalia recorrer à Organização Mundial de Comércio (OMC). Além disso, o país estuda utilizar instrumentos da Lei de Reciprocidade Econômica para possíveis retaliações. Para acompanhar os desdobramentos dessa disputa e entender como o cenário global impacta seus investimentos, continue acompanhando o Conexrs, seu portal de referência para notícias relevantes, análises aprofundadas e cobertura completa do mercado financeiro.

Fonte: seudinheiro.com