A estratégia de alocação de ativos para o segundo semestre passou por ajustes significativos na visão da EQI Research. Em uma análise voltada para a otimização de portfólios, a casa decidiu reduzir a exposição a fundos imobiliários (FIIs) nos perfis moderado e arrojado, redirecionando parte dos recursos para investimentos internacionais e reforçando a aposta nos títulos públicos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+.
O movimento reflete uma mudança na percepção de risco e retorno do mercado brasileiro. Embora os fundos imobiliários mantenham sua relevância no longo prazo, a avaliação atual é de que a renda fixa oferece um prêmio mais atrativo para capturar o cenário de juros reais elevados, que hoje oscilam entre 7,5% e 8% ao ano. Esse patamar, considerado raro, permite ao investidor travar ganhos expressivos acima da inflação por um período prolongado.
A relação entre juros e ativos de risco
Apesar de possuírem naturezas distintas, os FIIs e o Tesouro IPCA+ compartilham uma sensibilidade comum às variações da taxa de juros. Historicamente, ambos tendem a se valorizar em ciclos de queda da Selic e a sofrer pressão quando as expectativas de juros se deterioram. É justamente essa correlação que coloca os dois ativos em disputa direta pela preferência do investidor que busca se posicionar para o futuro econômico do país.
Segundo Carol Borges, head da EQI Research, a escolha pela renda fixa neste momento baseia-se em uma relação risco-retorno mais favorável. Ao optar pelo título público, o investidor garante uma previsibilidade que o mercado de capitais, por sua natureza volátil, não consegue oferecer com a mesma segurança, especialmente em momentos de instabilidade macroeconômica.
A compressão do prêmio de risco
Um dos pontos centrais da tese da EQI é a redução do diferencial entre o dividend yield dos FIIs e o rendimento dos títulos públicos. Atualmente, esse prêmio — que representa a compensação extra que o investidor recebe por correr o risco do setor imobiliário em vez de optar pela segurança do Tesouro Nacional — atingiu o menor nível dos últimos cinco anos.
Apesar dessa compressão, a casa ressalta que os fundos imobiliários não perderam seu valor. Eles ainda possuem diferenciais importantes, como o potencial de valorização das cotas em bolsa e o crescimento real dos aluguéis, fatores que o título público não entrega, já que este último se limita a entregar o retorno combinado no vencimento. Os dividendos dos FIIs, com fundos de papel entregando cerca de 13% e tijolo em torno de 10% ao ano, continuam acima da média histórica.
Diversificação internacional como proteção
A redução da fatia destinada aos FIIs não foi integralmente migrada para o Tesouro IPCA+. Parte do capital foi direcionada para ativos internacionais, com a alocação em moeda estrangeira subindo de 15% para 20% nos portfólios recomendados. A estratégia visa utilizar o dólar como um contrapeso natural aos ativos domésticos.
A EQI destaca que a moeda norte-americana atua como uma camada de proteção adicional, especialmente diante da proximidade das eleições de 2026. Enquanto os ativos locais podem sofrer com a volatilidade política, a exposição internacional oferece uma defesa estrutural, trabalhando a favor do portfólio tanto em cenários de queda de juros quanto em momentos de deterioração do ambiente econômico interno.
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Fonte: seudinheiro.com
