A história da família Babinski, no interior de Xavantina, em Santa Catarina, é um retrato da resiliência e da transformação do agronegócio brasileiro. O que hoje se consolida como uma granja de referência regional, com cerca de 6 mil suínos em fase de creche, teve um início marcado pela precariedade e pelo esforço manual. A trajetória, que atravessa gerações, começou com uma pequena moradia que mal se mantinha de pé e uma negociação de terras baseada apenas na palavra, o famoso “acordo de bigode”.
Leonir e Salete Babinski, os patriarcas, enfrentaram décadas de desafios para estabelecer a base do negócio. Sem acesso a financiamentos bancários ou contratos formais na época, a aquisição da propriedade foi selada com o pagamento de sacas de milho, um compromisso que exigiu sacrifícios extremos. A transição para a suinocultura, iniciada em 1992 com apenas oito fêmeas, foi o divisor de águas que permitiu à família não apenas quitar as dívidas da terra, mas também investir no futuro dos filhos.
A transição geracional e o retorno ao campo
O sucesso atual da granja, no entanto, também passa pela visão estratégica da segunda geração. Deyvis Babinski, filho de Leonir e Salete, chegou a buscar novas oportunidades na cidade, mudando-se para a região de Curitiba em 2012. Contudo, a experiência urbana não atendeu às suas expectativas, tanto financeiras quanto de qualidade de vida. O retorno ao campo, em 2016, marcou o início de uma nova fase para a propriedade familiar.
Ao assumir a gestão, Deyvis optou por uma mudança de rumo: deixou de lado o foco exclusivo em matrizes para investir na criação de leitões em fase de creche. A decisão, embora tenha sido acompanhada por um início desafiador, revelou-se um acerto estratégico. A adaptação ao novo sistema exigiu aprendizado prático, superação de erros operacionais e a profissionalização dos processos internos da granja.
Gestão, tecnologia e o topo do ranking
A evolução da propriedade não ocorreu por acaso. Entre 2017 e 2025, a granja passou por um rigoroso processo de padronização e treinamento de equipe. Deyvis compreendeu que, para escalar a produção e garantir resultados consistentes, a gestão precisava ser tão eficiente quanto o manejo dos animais. Esse foco na excelência técnica permitiu que a granja saltasse de resultados modestos para o topo do desempenho regional.
O caminho até o reconhecimento foi gradual. Após conquistar o segundo lugar em conversão alimentar em 2018 e repetir a colocação em 2024, a família finalmente alcançou o primeiro lugar em desempenho no ano de 2025. Esse marco não apenas valida o investimento em infraestrutura, como os novos galpões construídos, mas também consolida o papel de Deyvis como um gestor que combina a tradição do campo com as exigências modernas da suinocultura de alta performance.
O futuro da produção suína em Santa Catarina
Para a família Babinski, o sucesso na atividade é mais do que um prêmio; é a garantia de continuidade do legado. Enquanto Leonir e Salete observam a consolidação do trabalho que iniciaram com dificuldades, Deyvis já projeta novas expansões. A história da granja em Xavantina reflete o dinamismo do setor suinícola catarinense, que se mantém como um dos pilares da economia do estado através da sucessão familiar bem-sucedida.
Acompanhar essas transformações é fundamental para entender os rumos do agronegócio no Brasil. O ConexRS segue comprometido em trazer histórias reais, análises de mercado e informações relevantes que conectam o campo à cidade. Continue acompanhando nosso portal para se manter atualizado sobre o cenário agropecuário e as inovações que movem a economia regional.
Fonte: canalrural.com.br
