A 3tentos, uma das empresas mais observadas no setor de agronegócio brasileiro, vive um momento de transição estratégica. Desde sua oferta pública inicial (IPO) em 2021, a companhia transformou sua escala, dobrando o número de unidades e diversificando sua atuação para além do Rio Grande do Sul. No entanto, o ritmo dos próximos passos agora é ditado por um fator externo decisivo: a trajetória da taxa de juros no Brasil.
Em entrevista recente, Cristiano Machado Costa, CFO da 3tentos, destacou que o foco atual da organização é a geração de caixa e o controle do endividamento. Embora a empresa tenha consolidado seu modelo de negócio — que abrange desde a venda de insumos e sementes até o processamento de grãos e a produção de etanol de milho —, a execução de novos projetos, como a planta prevista para Redenção (PA), depende de um ambiente macroeconômico mais favorável.
Estratégia de crescimento e diversificação regional
A trajetória da 3tentos é marcada por uma expansão agressiva. A empresa, que nasceu em 1995 em Santa Bárbara do Sul (RS), utilizou os recursos do IPO para reduzir sua dependência geográfica e de cultura. Hoje, a companhia opera 81 lojas em seis estados, incluindo expansões recentes para Goiás, Pará, Tocantins e Minas Gerais. Essa capilaridade é vista pela diretoria como um hedge climático, permitindo que a empresa mitigue riscos ao atuar em diferentes regimes de chuva e ciclos produtivos.
O pilar industrial também foi fortalecido. A unidade de Vera (MT) tornou-se central na estratégia de processamento de soja, enquanto a planta de etanol de milho em Porto Alegre do Norte (MT), que iniciou operações em maio deste ano, representa a nova fronteira de valor agregado. Com capacidade de processamento de 10,8 mil toneladas de soja por dia, a empresa busca otimizar suas margens em um mercado que exige eficiência logística constante.
O papel da TentosCap no crédito ao produtor
Um dos movimentos mais recentes da companhia foi a criação da TentosCap, braço financeiro que passou a operar em março de 2025. Com uma carteira que atingiu R$ 510,8 milhões no primeiro trimestre de 2026, a iniciativa visa oferecer crédito direto ao produtor rural. Em um setor que enfrentou dificuldades recentes com a alta dos juros e quebras de safra, a 3tentos aposta em seu diferencial competitivo: a capacidade de receber o pagamento em grãos, integrando o crédito à sua operação de trading.
Desafios e visão do mercado financeiro
Apesar do crescimento robusto da receita — que saltou de R$ 5,34 bilhões em 2021 para R$ 16,42 bilhões em 2025 —, as ações da empresa enfrentam volatilidade. O desempenho no último ano, com alta de 11,30%, ficou abaixo do Ibovespa, refletindo preocupações de investidores com custos logísticos e o cenário de juros. Contudo, instituições como o BTG Pactual e o Itaú BBA mantêm a 3tentos como uma das principais apostas no setor, citando a resiliência do modelo de negócios.
O desafio de execução é reconhecido pelo mercado. A construção da nova usina no Pará, com investimento estimado em R$ 1,15 bilhão, está no radar, mas a empresa mantém cautela. Segundo o CFO, o início das obras depende de um patamar de juros mais razoável, reforçando que a disciplina financeira será a prioridade para os próximos trimestres. A expectativa agora se volta para a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, agendada para o dia 13 de agosto, que deve oferecer mais clareza sobre a margem operacional da companhia.
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Fonte: seudinheiro.com
