Um relatório da Polícia Federal (PF) revelou que o plano de negócios do filme Dark Horse, produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, estabelecia metas de bilheteria que superariam, com larga margem, o maior sucesso da história do cinema nacional. O documento, que integra o inquérito sobre o Banco Master, aponta que as projeções financeiras para o longa-metragem destoam significativamente da realidade do mercado audiovisual brasileiro.
Projeções financeiras e o descompasso com o mercado
Segundo a investigação, os cenários traçados para o filme previam arrecadações que variariam entre US$ 45 milhões e US$ 100 milhões. Em valores convertidos, o cenário mais pessimista alcançaria cerca de R$ 381 milhões, enquanto a estimativa otimista chegaria a R$ 509 milhões. Para efeito de comparação, o recordista nacional Minha Mãe é uma Peça 3, lançado em 2019, arrecadou aproximadamente R$ 120 milhões, valor que, na época, correspondia a cerca de US$ 30 milhões.
A Polícia Federal destacou no relatório que a meta otimista para Dark Horse superaria o recorde histórico do cinema brasileiro em mais de três vezes, aproximando-se do desempenho de grandes produções de Hollywood. A corporação enfatizou que tal discrepância não configura, por si só, um crime, mas levanta questionamentos sobre a viabilidade econômica do projeto e a real destinação dos recursos envolvidos.
Investigações sobre o financiamento e envolvimento político
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é candidato à Presidência nas eleições de 2026, consta formalmente como um dos investigados no caso. As apurações indicam que o parlamentar teria negociado diretamente com o banqueiro Daniel Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões para viabilizar a produção. Documentos citados pela revista piauí apontam que, desse total, cerca de US$ 12,3 milhões teriam sido efetivamente pagos.
O material que embasa o relatório da PF foi extraído de conversas encontradas no celular de Vorcaro. O publicitário Thiago Miranda, apontado como interlocutor na montagem do filme, teria sido o responsável por enviar as projeções ao banqueiro. Além disso, as autoridades investigam a suspeita de que parte dos valores arrecadados tenha sido utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos.
Contexto das apurações da Polícia Federal
A investigação sobre Dark Horse faz parte de um inquérito mais amplo que analisa as operações financeiras envolvendo o Banco Master. O foco dos investigadores é determinar se a estrutura montada para o filme serviu como fachada ou meio para movimentações financeiras atípicas. Conforme reportado pelo portal The Intercept, as orientações sobre o uso dos recursos teriam passado por diferentes núcleos da família Bolsonaro.
O caso segue em segredo de justiça parcial, com novos desdobramentos sendo analisados pela PF para esclarecer a compatibilidade econômica da operação. O Conexrs continuará acompanhando os desdobramentos desta investigação, mantendo o compromisso com a apuração rigorosa e a transparência informativa sobre temas de relevância pública e política nacional.
Fonte: redir.folha.com.br
