Gastos de produtora de filme sobre Bolsonaro revelam despesas milionárias com elenco

Gastos de produtora de filme sobre Bolsonaro revelam despesas milionárias com elenco

Política

A produção do filme Dark Horse, longa-metragem que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, tornou-se o centro de uma investigação detalhada sobre o uso de recursos financeiros. Documentos apresentados à Polícia Federal (PF) revelaram gastos elevados com a logística e a caracterização do elenco principal, incluindo valores expressivos destinados ao ator norte-americano Jim Caviezel, escalado para interpretar o ex-mandatário.

Investigação sobre o financiamento do longa

Os registros financeiros, que incluem comprovantes bancários e notas fiscais, foram entregues pela defesa da produtora Go Up Entertainment e de sua representante legal, Karina Ferreira da Gama. O material faz parte do inquérito que apura o financiamento da obra no contexto do caso Banco Master. O sigilo sobre a investigação foi levantado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após uma determinação do presidente da corte, Edson Fachin, visando a transparência dos processos relacionados ao caso.

Custos de hospedagem e serviços de luxo

Um dos pontos que mais chamam a atenção na prestação de contas é o volume de recursos destinados ao hotel Unique, em São Paulo. Somente em hospedagens para Jim Caviezel, seu agente Nathon Lewis e membros da equipe de segurança, como Richard Dobrich e Keith Billiot, a produtora desembolsou ao menos R$ 732 mil. Além das notas fiscais que totalizam R$ 663.165,50, houve uma transferência adicional de R$ 298.350,49, descrita como pagamento por hospedagem, gorjetas e sessões de massagem para o protagonista.

Despesas com caracterização e passagens

A produção também investiu valores vultosos em detalhes técnicos e visuais. O aluguel de uma peruca para Jim Caviezel custou R$ 10 mil aos cofres da Go Up Entertainment, em transação datada de 5 de dezembro de 2025. Outros itens de caracterização, como apliques para a personagem de Michelle Bolsonaro — interpretada pela atriz Camille Guaty — e acessórios para dublês, somaram R$ 8.500.

Além da estadia, a fatura de transporte internacional também foi expressiva. Apenas com a passagem aérea de Caviezel, que cobriu o período entre 1º de novembro e 8 de dezembro de 2025, a produtora registrou um custo de R$ 54.332,46. O detalhamento financeiro enviado à PF em 4 de setembro inclui ainda despesas menores, como serviços de manicure para as atrizes Lynn Collins e Camille Guaty, totalizando R$ 2.045.

O inquérito segue em curso para esclarecer a origem e a regularidade dos recursos utilizados pela produtora. O Conexrs mantém o compromisso de acompanhar os desdobramentos desta investigação e de outros temas relevantes da cena política e cultural brasileira. Continue conectado ao nosso portal para receber informações aprofundadas e checadas sobre os fatos que movimentam o país.

Fonte: redir.folha.com.br