Cogna perde posto de favorita e Bradesco BBI rebaixa recomendação para neutra

Cogna perde posto de favorita e Bradesco BBI rebaixa recomendação para neutra

Economia

O cenário para o setor de educação superior no Brasil passou por uma mudança significativa de rota. O Bradesco BBI, em uma atualização recente de sua cobertura, rebaixou a recomendação das ações da Cogna (COGN3) de compra para neutra, retirando o papel do posto de principal aposta entre as empresas do segmento. O movimento ocorre em um momento de consolidação de mercado, marcado pela fusão entre a Yduqs (YDUQ3) e a Afya.

A revisão do banco não apenas alterou a recomendação, mas também reduziu o preço-alvo da ação para o final de 2027, passando de R$ 3,80 para R$ 3,10. Embora o novo patamar ainda aponte um potencial de valorização de 35% sobre o fechamento anterior, o otimismo do mercado diminuiu drasticamente em comparação com julho, quando o BBI projetava um retorno superior a 80% para o ativo.

Fatores que pesaram na decisão do Bradesco BBI

A mudança de postura do banco é fundamentada em uma análise técnica que aponta para desafios operacionais e regulatórios. Segundo o BBI, a Cogna enfrenta agora uma menor atratividade relativa, o que significa que, dentro do portfólio de opções no setor de educação, a relação entre risco e retorno tornou-se menos vantajosa para o investidor.

Além disso, a companhia lida com uma dinâmica operacional enfraquecida. As projeções indicam uma captação de alunos mais tímida e uma pressão persistente sobre as receitas e as margens da Kroton, braço de ensino superior da holding, durante o segundo semestre. Soma-se a isso o impacto do novo marco regulatório do ensino superior, que exige uma carga maior de atividades presenciais. Essa exigência eleva os custos estruturais das unidades, criando um cenário onde a margem de lucro pode ser comprimida caso a empresa não consiga repassar esses custos adicionais para as mensalidades.

Yduqs assume a liderança como aposta do setor

Com o rebaixamento da Cogna, a Yduqs consolidou-se como a nova predileta do Bradesco BBI. A confiança na companhia é impulsionada pela fusão com a Afya, operação que promete transformar o perfil da empresa, tornando-o mais premium. Estima-se que cerca de dois terços do Ebitda da nova estrutura venham de negócios mais resilientes, com destaque para a forte presença em cursos de medicina.

O mercado também reagiu positivamente aos anúncios financeiros que acompanham a fusão. A companhia planeja distribuir R$ 750 milhões em dividendos até 2028 e estima gerar sinergias entre R$ 2 bilhões e R$ 2,2 bilhões. Com uma recomendação de compra e preço-alvo de R$ 17,00, a Yduqs é vista como uma alternativa com maior potencial de retorno, projetado em cerca de 61%.

Perspectivas para o mercado de educação

Apesar do alerta sobre a Cogna, que viu suas ações recuarem mais de 4% no pregão desta quinta-feira (24), o Bradesco BBI mantém uma visão otimista para o setor educacional como um todo. A tese de investimento baseia-se em valuations que ainda são considerados atrativos e na expectativa de que a queda dos juros nos próximos anos possa impulsionar a geração de caixa das empresas.

Além das duas gigantes, o banco mantém cobertura sobre outros players relevantes. A Cruzeiro do Sul (CSED3) e a Vitru (VTRU3) seguem com recomendação de compra, ocupando a segunda e terceira posições no ranking de preferência do BBI, enquanto a Ânima (ANIM3) permanece com recomendação neutra. O cenário reforça que, embora o setor apresente oportunidades, a seletividade será a chave para o investidor nos próximos anos.

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Fonte: seudinheiro.com