Açúcar oscila nas bolsas internacionais enquanto cristal mantém alta em São Paulo

Açúcar oscila nas bolsas internacionais enquanto cristal mantém alta em São Paulo

Agro

O mercado global de açúcar encerrou a quinta-feira (24) com sinais mistos, refletindo a complexidade das negociações internacionais e a dinâmica específica do setor sucroalcooleiro no Brasil. Enquanto as bolsas de Nova York e Londres registraram movimentos divergentes, o mercado interno brasileiro, especificamente o paulista, demonstrou resiliência com a valorização do açúcar cristal.

Desempenho nas bolsas globais de commodities

Na ICE Futures U.S., em Nova York, o açúcar bruto apresentou recuo nos principais contratos. O vencimento de outubro de 2026 fechou a 17,58 centavos de dólar por libra-peso, uma queda de 0,17 centavo. O cenário se repetiu nos contratos futuros de março e maio de 2027, que encerraram o pregão com baixas de 0,19 e 0,17 centavo, respectivamente.

Em contrapartida, a bolsa de Londres seguiu uma trajetória de alta para o açúcar branco. O vencimento de dezembro de 2026 subiu US$ 3,90, atingindo US$ 509,90 por tonelada. Os contratos para março e maio de 2027 também acompanharam o movimento positivo, com valorizações de US$ 2,60 e US$ 0,30, respectivamente, consolidando um ambiente de incerteza sobre a direção dos preços globais.

Valorização do cristal no mercado paulista

No Brasil, o cenário interno segue descolado das quedas observadas em Nova York. O Indicador do Açúcar Cristal Branco, calculado pelo CEPEA/ESALQ, fechou o dia cotado a R$ 121,13 por saca de 50 quilos. O valor representa uma alta diária de 0,87%, consolidando um desempenho expressivo no mês de setembro, com valorização acumulada de 6,49%.

Paralelamente, o mercado de etanol hidratado em Paulínia (SP) apresentou um leve recuo de 0,84%, sendo negociado a R$ 2.669,00 por metro cúbico. Apesar da queda pontual, o biocombustível mantém um acumulado de alta de 8,03% no mês, evidenciando a volatilidade que ainda permeia o setor sucroenergético brasileiro.

Projeções de oferta e demanda global

A consultoria StoneX revisou recentemente suas estimativas para a safra 2026/27, reduzindo a projeção de déficit mundial de 1,7 milhão para 900 mil toneladas. A nova estimativa aponta uma produção global de 193,8 milhões de toneladas frente a uma demanda de 194,7 milhões de toneladas.

Embora o déficit tenha sido reduzido, o mercado continua atento ao fato de que o consumo global ainda supera a oferta. Fatores como o regime de chuvas e o ritmo de moagem no Centro-Sul brasileiro permanecem como variáveis críticas para a formação dos preços, influenciando diretamente a estratégia de produtores e investidores que buscam antecipar os próximos movimentos do setor.

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Fonte: portaldoagronegocio.com.br