Conselho do MPF decide não investigar Paulo Gonet após citações em mensagens

Conselho do MPF decide não investigar Paulo Gonet após citações em mensagens

Justiça

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decidiu, nesta sexta-feira (25), arquivar o pedido de abertura de investigação contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A decisão foi tomada por uma margem estreita de 5 votos a 4, encerrando um debate que colocou em xeque a conduta do chefe do órgão ministerial diante de revelações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

Contexto das investigações e o caso Banco Master

A controvérsia teve origem em mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) no celular de Daniel Vorcaro, que se encontra preso. O material, que teve parte do sigilo levantada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), trouxe à tona o nome de Gonet em um contexto de preocupação do ex-banqueiro com o avanço de investigações sobre fraudes financeiras. Em uma das mensagens datadas de 15 de novembro de 2025, Vorcaro questionava a possibilidade de reverter o curso das apurações junto a autoridades, citando nominalmente o procurador-geral e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Embora as menções tenham gerado repercussão imediata, a própria Polícia Federal não apresentou, até o momento, indícios de que tenha havido qualquer interferência efetiva de Gonet ou de Andrei Rodrigues nas investigações. O caso, que ganhou contornos de escândalo no setor financeiro, também envolveu a divulgação de uma fotografia em que o procurador aparece ao lado de Vorcaro em um evento jurídico realizado em Londres, em abril de 2024. Gonet classificou o encontro como uma interação “brevíssima e banal”, negando qualquer proximidade ou relação de amizade com o investigado.

Decisão do colegiado e desdobramentos

O pedido de investigação, protocolado pelo Partido Novo, buscava apurar a suposta prática de prevaricação por parte de Gonet, além de solicitar seu afastamento dos processos relacionados ao Banco Master. O colegiado, contudo, manteve uma postura de blindagem em relação à permanência do procurador na condução dos casos, registrando uma votação unânime de 9 a 0 contra o seu afastamento das funções.

Durante a sessão, o relator Francisco Sanseverino, acompanhado pelos subprocuradores Celso Albuquerque, Alexandre Camanho, Hidenbugo Chateaubriand e Nicolau Dino, formou a maioria que barrou a investigação. Hinderburgo Chateaubriand enfatizou a ausência de elementos que configurassem “amizade íntima” entre o procurador e o ex-banqueiro, argumentando que a simples citação em mensagens não é suficiente para sustentar uma acusação formal. Por outro lado, a subprocuradora Ana Borges Santos, que votou a favor da apuração, sustentou que haveria elementos para caracterizar o dolo específico de prevaricação, criticando a atuação de Gonet ao solicitar ao STF a anulação do relatório da PF que expôs as menções ao seu nome.

A decisão do CSMPF encerra, por ora, a pressão administrativa interna sobre o procurador-geral. O caso segue sendo monitorado por órgãos de controle e pela opinião pública, que observa com atenção os desdobramentos das investigações sobre o Banco Master, conforme detalhado em reportagem da Agência Brasil.

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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br