Em um cenário de incertezas econômicas, a estratégia de proteção patrimonial ganha contornos de urgência para investidores que buscam resguardar seus ativos contra volatilidades locais. Luis Stuhlberger, fundador e CIO da Verde Asset, um dos nomes mais respeitados do mercado financeiro brasileiro, reforçou recentemente a importância de manter uma parcela do patrimônio dolarizada como uma forma de “seguro” contra eventuais crises institucionais e fiscais no Brasil.
A estratégia de proteção cambial e o risco de convertibilidade
Durante um evento promovido pela Monte Bravo, Stuhlberger detalhou que sua visão sobre o dólar vai muito além da simples especulação de curto prazo. Para o gestor, a exposição à moeda norte-americana funciona como uma barreira de proteção contra cenários extremos, onde o governo poderia, em momentos de desespero fiscal, adotar medidas restritivas que dificultariam o acesso à divisa estrangeira.
O gestor alertou para o chamado “risco de convertibilidade”, citando a possibilidade de aumento de tributos sobre operações cambiais, como o IOF, ou até mesmo restrições mais severas à conversão de reais em dólares. Embora Stuhlberger reconheça que tais medidas não estejam no horizonte imediato, ele defende que a prudência exige a antecipação a esses riscos, tratando a dolarização como uma apólice de seguro necessária para momentos de instabilidade.
Diversificação internacional como pilar de segurança
Ao ser questionado sobre a alocação ideal de recursos fora do país, o CIO da Verde Asset sugeriu que uma fatia entre 30% e 50% do patrimônio em ativos internacionais seria uma medida confortável para muitos investidores. Stuhlberger critica a concentração excessiva de riquezas no Brasil, seja em imóveis ou aplicações locais, argumentando que a diversificação geográfica é essencial para mitigar a exposição aos riscos domésticos.
Para o gestor, o mercado norte-americano apresenta um “excepcionalismo” que justifica a alocação. Ele aponta que as empresas dos Estados Unidos continuam demonstrando resiliência, com crescimento de lucros impulsionado pela inteligência artificial e uma economia que mantém o mercado de trabalho aquecido, afastando, na visão dele, o temor de uma bolha especulativa semelhante à crise das pontocom no início dos anos 2000.
O atrativo dos títulos públicos norte-americanos
Além das ações, Stuhlberger destaca uma oportunidade que considera particularmente interessante no atual ambiente de juros globais: os títulos públicos dos Estados Unidos. Após anos de retornos reais próximos de zero ou negativos, o patamar atual de remuneração dos Treasuries oferece, segundo o gestor, uma alternativa de baixo risco e alta atratividade para o investidor que busca preservar capital.
A Verde Asset mantém foco especial nos TIPS, títulos do governo norte-americano que oferecem correção pela inflação, funcionando de forma análoga ao Tesouro IPCA+ brasileiro. Com retornos reais que superam os 2% ao ano, Stuhlberger classifica essa classe de ativos como uma remuneração muito bem paga para o nível de risco envolvido, reforçando que o momento é propício para manter posições sólidas em moeda forte.
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Fonte: seudinheiro.com
