Em um cenário marcado por juros elevados e incertezas fiscais, o mercado de ações brasileiro atravessa um período de baixa atratividade para grande parte dos investidores. No entanto, para a Inter Asset, esse ambiente de pessimismo generalizado esconde oportunidades valiosas. Segundo Daniel Castro, CEO da gestora, o momento atual é de uma “mola comprimida”, onde ativos com fundamentos sólidos estão sendo negociados a preços descolados de sua realidade operacional.
A tese central da casa é pragmática: o lucro no mercado financeiro raramente advém da compra de ativos que estão no auge da popularidade. Com a exposição dos fundos de pensão à bolsa em patamares próximos a 6% — um dos níveis mais baixos dos últimos 25 anos —, o capital migrou massivamente para a renda fixa. Esse movimento deixou para trás empresas de qualidade, criando distorções que a gestora busca capturar através de uma seleção rigorosa de ativos.
A metodologia de garimpo em ativos subvalorizados
Para Rafael Maciel, gestor de renda variável da Inter Asset, o trabalho de alocação assemelha-se ao de um detetive. Em vez de tentar prever os movimentos macroeconômicos de curto prazo, a equipe foca na análise individual das companhias. O objetivo é distinguir empresas que estão baratas por questões estruturais daquelas que foram punidas injustamente pelo humor do mercado.
A gestora, que administra cerca de R$ 24 bilhões, mantém uma estratégia diversificada que inclui renda fixa, crédito e real estate, mas é na renda variável que a filosofia de “não perder dinheiro” ganha contornos mais definidos. Os fundos Inter Dividendos e Inter Valor são os veículos onde essa estratégia de stock picking é aplicada, buscando empresas com capacidade de geração de caixa e margem de segurança no preço de entrada.
Posicionamento setorial e teses de investimento
Entre as apostas que compõem as carteiras da Inter Asset, destacam-se nomes como Petrobras, Vibra e Allos. No caso da Vibra, a tese é fundamentada na dinâmica de oferta de combustíveis: a redução das importações de diesel pela Petrobras tende a beneficiar as distribuidoras locais, que ganham poder de mercado e margem operacional.
Já no setor de shopping centers, a Allos é vista como uma oportunidade de valor. Maciel aponta que o preço praticado na bolsa para a companhia é significativamente inferior ao valor de mercado atribuído a ativos similares em transações privadas. Essa discrepância entre o valor real dos ativos e a cotação no pregão é, para a gestora, um indicativo claro de uma oportunidade de compra para o investidor de longo prazo.
O peso do cenário fiscal e o horizonte de 2026
Embora as eleições de 2026 e o cenário fiscal brasileiro ocupem as manchetes, a Inter Asset evita transformar seu portfólio em uma aposta binária sobre resultados políticos. Para a gestora, o foco deve permanecer na sustentabilidade das contas públicas, independentemente do ciclo eleitoral. Daniel Castro alerta que o país vive um momento de atenção, onde qualquer desvio na política fiscal pode pressionar o câmbio e os juros, exigindo uma postura defensiva.
Apesar da cautela, a equipe reforça que a volatilidade não é um impeditivo, mas um catalisador para sua estratégia. “O momento difícil é na euforia, quando tudo está caro”, pontua Maciel. Para a gestora, o mercado atual, embora desafiador, oferece o terreno ideal para quem busca ativos resilientes a preços descontados, mantendo a disciplina necessária para não ceder aos movimentos emocionais do mercado.
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Fonte: seudinheiro.com
