Produção de soja certificada pela RTRS salta 42% e alcança marca histórica de 10,3 milhões de toneladas

Produção de soja certificada pela RTRS salta 42% e alcança marca histórica de 10,3 milhões de toneladas

Agro

O mercado global de grãos registrou um marco significativo em 2025, com a produção de soja certificada pela Mesa Redonda da Soja Responsável (RTRS) atingindo o volume recorde de 10,3 milhões de toneladas. O número representa um salto expressivo de 42% na comparação com o ano anterior, evidenciando uma mudança de postura em toda a cadeia produtiva, que busca atender a exigências crescentes por sustentabilidade e transparência.

Paralelamente à oferta, o consumo de soja com selo de responsabilidade também apresentou trajetória de alta, alcançando 8,1 milhões de toneladas. Esse crescimento de 9,5% no período reflete a pressão de consumidores finais e de grandes indústrias por produtos que comprovem a origem ética e ambientalmente correta, consolidando a certificação como uma ferramenta estratégica para o agronegócio moderno.

A evolução dos padrões de sustentabilidade no campo

Ao completar duas décadas de atuação em 2026, a RTRS enfrenta o desafio de adaptar seus mecanismos de controle às novas regulamentações comerciais internacionais. O padrão atual da organização é composto por cinco princípios fundamentais e 108 indicadores, que abrangem desde a gestão ambiental rigorosa até a responsabilidade social e a adoção de boas práticas agrícolas.

Um dos pilares centrais desse sistema é o combate ao desmatamento e à conversão de áreas naturais. Segundo a diretora-executiva da RTRS, Marina Muscolo, o sucesso da iniciativa reside na capacidade de reunir em um mesmo fórum de discussão produtores, indústrias e compradores, permitindo que as decisões sejam tomadas de forma coletiva para enfrentar desafios compartilhados.

Inclusão e o papel dos pequenos produtores

Diferente do que se possa imaginar sobre grandes commodities, a base da certificação RTRS é composta majoritariamente por agricultores de menor escala. Dados da organização indicam que mais de 90% dos produtores certificados são pequenos, com forte presença em países como Índia e Uganda. Ao todo, a rede engloba mais de 84 mil produtores globais.

Para viabilizar essa participação, a RTRS promove o modelo de certificação em grupo. Essa estrutura permite que os agricultores compartilhem a organização do processo e contem com o suporte de um gerente de grupo, reduzindo os custos operacionais e facilitando a preparação para as auditorias necessárias. Esse arranjo é fundamental para garantir que a sustentabilidade não se torne uma barreira de entrada para o pequeno produtor, mas sim uma oportunidade de valorização do seu produto.

Rastreabilidade e o futuro do mercado

Para o próximo ciclo, a organização planeja atualizar o sistema de cadeia de custódia, conhecido pela sigla CoC. Entre as inovações em análise, destaca-se um modelo híbrido que combina a rastreabilidade física do grão com o uso de créditos de sustentabilidade, oferecendo maior flexibilidade para os integrantes da cadeia.

A RTRS reforça, contudo, que a certificação atua como um facilitador, mas não substitui os procedimentos obrigatórios de diligência, geolocalização e avaliação de riscos exigidos por legislações específicas em diversos mercados. O foco da entidade segue sendo transformar as expectativas de instituições financeiras, varejistas e da sociedade civil em soluções práticas e aplicáveis ao dia a dia do campo.

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Fonte: portaldoagronegocio.com.br