Farsul aciona ANP após relatos de falta de diesel e preços elevados no Rio Grande do Sul

Farsul aciona ANP após relatos de falta de diesel e preços elevados no Rio Grande do Sul

Geral

A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) formalizou, nesta terça-feira (29), um ofício endereçado ao superintendente de Distribuição e Logística da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Diogo Valério. O documento expõe um cenário crítico de desabastecimento e volatilidade de preços do óleo diesel em diversas regiões gaúchas, gerando apreensão no setor produtivo em um momento estratégico para o campo.

O levantamento realizado pela entidade aponta para uma realidade de mercado fragmentada e instável. Produtores rurais relatam dificuldades que vão desde a imposição de limites rígidos de volume para compra até a ausência total de garantia de entrega por parte dos Transportador-Revendedor-Retalhista (TRRs). O combustível do tipo S500 aparece como o item mais escasso, dificultando o planejamento operacional das propriedades.

Impactos diretos no calendário agrícola gaúcho

A situação ganha contornos de urgência à medida que o calendário de plantio avança. Em Pedras Altas, por exemplo, a escassez de combustível atingiu um nível crítico, resultando na paralisação das atividades de implantação das lavouras de arroz. Relatos locais indicam que o preço do diesel saltou de R$ 6,02 para R$ 7,40 por litro em apenas uma semana, com produtores enfrentando filas para tentar garantir o insumo.

Em outras regiões, como Santa Bárbara e Lavras do Sul, a indisponibilidade do S500 é acompanhada por preços elevados do S10, que chegam a ser cotados em patamares superiores a R$ 7,70 por litro. Em locais como Cruz Alta e no Noroeste gaúcho, o fornecimento é irregular, com postos limitando o abastecimento na bomba, o que prejudica a logística de transporte de insumos e a movimentação de maquinário pesado.

Solicitação de fiscalização e transparência

Diante do quadro apresentado, a Farsul exige que a ANP realize uma verificação imediata das condições de abastecimento em todo o território gaúcho. A entidade busca esclarecimentos sobre as razões das restrições de volume, a disparidade de preços observada entre as cidades e a real situação dos estoques disponíveis para o setor agropecuário.

O ofício solicita, ainda, uma manifestação oficial da agência reguladora sobre as providências de fiscalização que serão adotadas para normalizar o fornecimento. A preocupação central é que a falta de combustível comprometa não apenas o preparo do solo, mas toda a cadeia produtiva que depende da regularidade do diesel para o escoamento da produção e o funcionamento das máquinas agrícolas.

Contraste entre relatos do campo e posicionamento oficial

O alerta da Farsul colide com as declarações recentes do governo federal. Na terça-feira da semana passada (22), o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que não existem indicativos concretos de desabastecimento de diesel em escala nacional. Segundo o ministro, eventuais problemas seriam pontuais e locais, sendo monitorados pelo Ministério de Minas e Energia e pela própria ANP.

Apesar da garantia de que não há risco de escassez generalizada, a recorrência dos relatos vindos do interior do Rio Grande do Sul coloca em xeque a percepção de normalidade. Enquanto o governo trata o tema como especulação, o produtor rural lida com a dificuldade prática de manter as máquinas operando, evidenciando um abismo entre a análise macroeconômica e a realidade vivida na ponta da cadeia produtiva.

O ConexRS segue acompanhando o desdobramento deste caso e as respostas das autoridades competentes. Para se manter informado sobre os impactos econômicos e os desafios do agronegócio no Rio Grande do Sul, continue acompanhando nossa cobertura diária, comprometida com a precisão e a relevância dos fatos que movem o nosso estado.

Fonte: canalrural.com.br