O cenário político do Maranhão ganhou novos contornos após uma decisão tomada pela prefeitura do município de Barra do Corda. O prefeito Rigo Alberto Teles de Sousa determinou o afastamento do secretário municipal de Segurança Pública, Antonio James Mota da Silva, até o encerramento do pleito eleitoral. A medida foi oficializada por meio de uma portaria publicada pela administração municipal, repercutindo amplamente na região e nos debates políticos locais.
A determinação ocorreu após a circulação de registros de áudio atribuídos ao gestor municipal em grupos fechados de aplicativos de mensagens. Nas gravações direcionadas a plataformas digitais, o sargento da Polícia Militar do Estado do Maranhão, cedido à prefeitura, sugeria ações de perseguição e detenção contra eleitores e apoiadores de uma legenda específica. A repercussão do material gerou forte pressão pública, exigindo respostas rápidas das autoridades competentes para garantir a lisura e a segurança do processo democrático.
Afastamento e continuidade dos serviços municipais
Diante da gravidade das acusações e da repercussão negativa, a prefeitura agiu para isolar a crise institucional na pasta da segurança. Conforme o documento oficial assinado pelo chefe do Executivo municipal, a prioridade é manter a ordem pública e o funcionamento regular das atividades essenciais prestadas à população durante o período eleitoral sensível.
A gestão municipal garantiu que adotará todas as providências administrativas necessárias para que não haja prejuízos na segurança da cidade. O titular da pasta, que possui patente militar, viu-se no centro de uma tempestade política que ultrapassou os limites locais e mobilizou órgãos estaduais de fiscalização e controle das eleições.
Defesa alega tom de brincadeira em grupo fechado
Após a viralização do material, o secretário afastado veio a público por meio de nota oficial distribuída à imprensa maranhense. Na manifestação, o militar confirmou ser o autor das declarações, mas tentou minimizar o impacto das falas ao classificá-las como meras provocações e discussões de cunho político restritas a um ambiente fechado entre colegas de farda.
Apesar da tentativa de justificativa, o sargento reconheceu o uso de termos considerados inadequados e fortes durante as discussões virtuais. A admissão pública da autoria não impediu que o caso escalasse rapidamente para instâncias superiores da Justiça Eleitoral e da segurança pública estadual, gerando desdobramentos imediatos em âmbito regional.
Governo estadual e órgãos de justiça entram no caso
A repercussão do episódio obrigou o governo do estado a tomar providências enérgicas. O governador reeleito do Maranhão, Carlos Brandão, determinou o afastamento imediato do policial militar de suas funções ligadas ao governo estadual, somando forças à decisão tomada pela administração municipal e sinalizando tolerância zero com desvios de conduta de agentes públicos durante o período eleitoral.
Paralelamente, a movimentação jurídica ganhou força com a atuação partidária. A Federação Brasil da Esperança protocolou uma notícia-crime eleitoral diretamente na Procuradoria Regional Eleitoral, exigindo apuração rigorosa, realização de perícias técnicas nos áudios divulgados, depoimentos formais do envolvido e medidas cautelares preventivas antes da votação do segundo turno. Como desdobramento institucional, o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão formalizou o encaminhamento do caso para a Polícia Federal, garantindo que a investigação ocorra sob rigor federal.

