Investidores buscam proteção em derivativos do EWZ com acirramento da disputa eleitoral de 2026

Economia

O cenário político brasileiro passou por reviravoltas inesperadas no primeiro turno das eleições de 2026, surpreendendo gestores e analistas econômicos. A expectativa inicial do mercado financeiro era de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderasse a primeira etapa da disputa, mas o resultado oficial colocou o senador Flávio Bolsonaro à frente, abrindo uma vantagem superior a dois pontos percentuais.

Essa virada inicial impulsionou ganhos expressivos na bolsa brasileira, levando o Ibovespa a superar a marca histórica de 209 mil pontos na máxima do período. No entanto, com o fechamento das margens nas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno, o tom mudou rapidamente para a cautela, intensificando a busca dos investidores por mecanismos de hedge e proteção de carteira.

Procura por proteção aumenta no mercado financeiro

A volatilidade das negociações refletiu diretamente no comportamento dos investidores institucionais e gestores de recursos. Segundo Paulo Abreu, gestor da Mantaro Capital, o grau de incerteza já era visível em levantamentos prévios realizados antes do pleito, que indicavam baixa expectativa de liderança para Flávio Bolsonaro por parte da maioria dos profissionais do setor.

Com a confirmação do cenário mais polarizado, o volume financeiro movimentado em contratos derivativos disparou consideravelmente. Na véspera do primeiro turno, as negociações alcançaram 39 bilhões de dólares, enquanto os volumes registraram expansão expressiva para 55 bilhões de dólares às vésperas do segundo turno, evidenciando uma postura mais defensiva do capital estrangeiro e local.

Contratos de opções ficam mais caros e disputados

O encarecimento das operações de proteção decorre diretamente da alta demanda gerada pelo acirramento da corrida eleitoral. De acordo com Gustavo Akamine, co-CIO e sócio da Constância Investimentos, a valorização prévia dos ativos alterou a dinâmica de preços dos contratos negociados tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Os dados de contratos em aberto de EWZ nos Estados Unidos ilustram essa mudança de comportamento, saltando de 969.950 para 3.541.733 nas opções de compra, enquanto as opções de venda subiram de 284.587 para 1.208.281 entre as janelas de outubro e novembro. Com isso, a relação entre puts e calls subiu de 0,29 para 0,34, demonstrando maior espaço proporcional conquistado pelas proteções contra quedas.

Volatilidade implícita sobe e reflete cautela

O reflexo direto dessa busca intensa por garantias é a disparada da volatilidade implícita dos ativos. Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, aponta que o indicador que mede a oscilação esperada pelo mercado subiu de forma generalizada, encarecendo tanto os derivativos de alta quanto os de baixa.

A volatilidade implícita aproximou-se de 70% nos contratos com vencimento em 20 de novembro, sinalizando um patamar elevado de instabilidade projetada pelos agentes econômicos. Em termos históricos, a volatilidade realizada de 10 dias do EWZ ficou em 49,28% no período entre os turnos de 2026, patamar ligeiramente superior à média histórica registrada entre 2002 e 2022, que foi de 47,20%, conforme dados consolidados do mercado financeiro e análises econômicas especializadas.