A produção de trigo no Rio Grande do Sul está estimada em 2,16 milhões de toneladas na safra 2026, volume 37,48% inferior ao colhido no ano anterior. A redução da área cultivada, somada à queda esperada na produtividade em relação a 2025, sustenta a previsão divulgada pela Emater/RS-Ascar.
Até o levantamento divulgado na quinta-feira (22), a colheita havia alcançado 19% da área semeada. Os primeiros resultados mostram diferenças acentuadas entre as regiões do estado, refletindo diretamente as adversidades climáticas enfrentadas pelos produtores rurais ao longo do ciclo produtivo.
impacto do clima na produção e na qualidade dos grãos
O excesso de umidade, a baixa radiação solar e a pressão de doenças prejudicaram parte significativa das lavouras gaúchas. Entre os problemas identificados pelos técnicos estão a redução do peso hectolitro e a presença recorrente de grãos avariados e chochos nas espigas.
A reestimativa da Emater aponta 763.121 hectares cultivados com o cereal em 2026. Essa área representa uma retração de 34,56% em comparação aos 1.166.163 hectares registrados em 2025 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, sendo um dos principais fatores para a baixa no volume total.
A combinação de umidade elevada e pouca luz solar reduziu o potencial produtivo e favoreceu o surgimento de patógenos como giberela e brusone. Temporais nas semanas anteriores também causaram danos localizados, especialmente em lavouras que já estavam próximas do ponto ideal de colheita.
desempenho regional e variação nos rendimentos
Nas áreas já colhidas, a Emater relata produtividade satisfatória em alguns municípios, mas com padrões de qualidade inferiores aos esperados no início do ciclo. Na região de Frederico Westphalen, a colheita atingiu 30% da área, com rendimento próximo de 2.500 kg/ha.
Por outro lado, na Região Celeiro, os resultados ficaram abaixo das expectativas iniciais. Em Tenente Portela, cerca de 30% da área foi colhida com produtividade média inferior a 1.800 kg/ha. Em Santa Rosa, lavouras colhidas revelaram problemas na coloração e no peso dos grãos.
Em regiões como a Fronteira Oeste e os Campos de Cima da Serra, o excesso de chuvas e a umidade acentuada continuam dificultando o avan¸o das máquinas. Produtores buscam alternativas como a dessecação para tentar uniformizar a maturação e evitar perdas ainda maiores no campo.
perspectivas para a comercialização do cereal
A produtividade estimada para a safra gaúcha passou de 2.701 quilos por hectare, na previsão feita no plantio, para 2.833 kg/ha, representando um pequeno ajuste positivo de 4,88%. No entanto, o rendimento continua 5,55% abaixo dos 2.968 kg/ha obtidos no período anterior.
O resultado definitivo da safra dependerá diretamente do comportamento climático nas próximas semanas e do desempenho das lavouras que ainda permanecem em maturação. Além do volume colhido, a qualidade física e sanitária dos grãos seguirá como fator decisivo para a comercialização no mercado.
Para mais detalhes sobre o setor primário e o acompanhamento de safras, consulte as informações oficiais da Emater/RS-Ascar e dados complementares de produção agrícola.

