Mais de um ano após o assassinato de Jane Cristina Montiel Gobatto, 54 anos, familiares da vítima afirmam viver sob constante clima de medo e sensação de impunidade em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. O motivo central dessa apreensão é a soltura do ex-marido dela, Milton Gobatto, que responde como réu pelo crime de feminicídio.
O caso, que chocou a comunidade local, gerou forte repercussão e mobilizou familiares na busca por respostas e justiça. A secretária e atendente de caixa foi morta no dia 18 de abril de 2025, durante a Sexta-feira Santa, na residência do ex-companheiro, com quem foi casada por três décadas.
A dinâmica do crime e o impacto na rotina da família
Conforme as investigações conduzidas pelas autoridades competentes, Jane Cristina costumava frequentar a casa de Milton para preparar refeições e manter proximidade com o filho do casal, que optara por morar com o pai após a separação. Na data do ocorrido, ela foi à residência para preparar peixe para o almoço de família.
A tragédia ocorreu após a refeição, quando a vítima decidiu descansar em um dos quartos e acabou sendo assassinada enquanto dormia. O impacto da perda devastou os familiares, que relatam angústia diária e profunda dor diante da ausência e da situação processual do ex-companheiro, cuja liberdade provisória sob medidas cautelares revolta os entes queridos.
Decisão judicial, medidas cautelares e o argumento da defesa
Atualmente em liberdade, Milton Gobatto não faz uso de tornozeleira eletrônica, mas cumpre obrigações impostas pelo Poder Judiciário, como a proibição de deixar o município e a exigência de apresentar relatórios periódicos sobre seu tratamento psiquiátrico. A Defensoria Pública informou que recorreu da decisão de pronúncia que determinou o julgamento pelo Tribunal do Júri.
Em nota oficial, o Tribunal de Justiça esclareceu que a substituição da prisão preventiva por cautelares considerou jurisprudência dos tribunais superiores de que a gravidade do delito, isoladamente, não justifica a prisão preventiva, além de ponderar o contexto das unidades prisionais locais no período. Um exame de sanidade mental atestou a imputabilidade penal do réu.
Expectativa pelo Tribunal do Júri e o debate sobre a violência de gênero
O processo judicial avançou em 23 de setembro, quando o réu foi pronunciado para ser julgado perante o Tribunal do Júri. A acusação e a representação jurídica da família, exercida pela advogada Vanessa Dal Ponte, sustentam que questões patrimoniais envolviam o conflito e reforçam a urgência de uma resposta rigorosa do sistema de justiça para coibir a impunidade em casos de violência contra a mulher.
Enquanto o recurso interposto pela defesa aguarda apreciação nos tribunais, a família de Jane Cristina segue mobilizada pela memória da vítima e pelo acolhimento mútuo, cobrando celeridade e desdobramentos efetivos que garantam segurança e justiça na região da serra gaúcha.

