A reação do mercado à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026 colocou os investidores diante de uma dúvida conhecida em momentos de turbulência: é hora de mudar a carteira ou manter a estratégia e esperar a poeira baixar?
No Itaú Unibanco, a pergunta chegou em peso. Clientes procuraram a instituição para entender como agir diante da forte queda da bolsa brasileira e da disparada do dólar, enquanto a equipe de investimentos reavaliava suas recomendações para o cenário econômico.
Ajuste de rota e cautela com as ações
A resposta veio na forma de um ajuste de rota. O Itaú reduziu sua recomendação para as ações brasileiras de otimista para neutra, em uma escala que vai de -3 a +3. Martin Iglesias, líder em recomendação de investimentos no Itaú Unibanco, afirma que a mudança reflete a busca por normalidade diante das incertezas recentes.
A alta do dólar aumentou a preocupação com a inflação, enquanto a abertura dos juros futuros elevou o custo de capital das empresas. Para o executivo, juros mais altos tendem a reduzir os múltiplos das companhias, e uma economia menos fraca pode comprometer as perspectivas para os lucros corporativos.
Apesar da postura mais cautelosa, o banco não recomenda abandonar a bolsa ou prever uma derrocada inevitável. Parte das apreensões já está embutida nos preços, mas a trajetória dos ativos dependerá diretamente dos próximos passos da política econômica nacional.
Diversificação internacional como proteção
Se a volatilidade doméstica gerou apreensão, a diversificação global ganhou espaço nas conversas com os clientes. Segundo o Itaú, os brasileiros mantêm uma exposição internacional inferior à recomendada nas carteiras, fenômeno conhecido como viés doméstico.
Na média, o investidor local concentra apenas 2% do patrimônio fora do país. O banco aponta que a alocação tática no exterior varia conforme o perfil de risco, chegando a 3% no conservador, 10% no moderado, 20% no arrojado e 35% no agressivo.
A turbulência recente serviu como teste prático para essa estratégia. Enquanto os ativos brasileiros sofreram pressões, os investimentos no exterior amorteceram as perdas, beneficiados pela valorização do dólar e pela estabilidade de mercados externos.
Oportunidades em renda fixa e outros ativos
Fora do Brasil, o Itaú mantém visão positiva para as ações norte-americanas e destaca títulos do Tesouro dos Estados Unidos com rendimentos próximos de 5,25% ao ano em dólar. O crédito privado internacional também surge como alternativa, embora o banco reforce a necessidade de diversificação.
O ouro aparece de forma secundária, indicado apenas para compor portfólios mais arrojados como instrumento defensivo de curto prazo, sem o status de aposta central. No cenário interno, a preferência migrou para títulos de renda fixa atrelados à inflação com prazos mais curtos, como o índice IMA-B 5, que respondem melhor às oscilações de preços do que os vencimentos longos expostos à dinâmica fiscal.
Para conferir mais detalhes sobre estratégias globais, veja esta reportagem como dar o pontapé inicial numa carteira de investimentos no exterior.

