Em um momento de celebração pelos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a cidade de Cascais, em Portugal, tornou-se palco de um encontro estratégico que buscou reposicionar o papel das novas gerações na diplomacia internacional. O Encontro de Política Externa e Pensamento Estratégico (Epepe) reuniu dezenas de jovens de diversas nações lusófonas para discutir temas fundamentais, como a atuação de Portugal no Conselho de Segurança das Nações Unidas e a viabilidade de tornar o português uma língua oficial na ONU.
Protagonismo juvenil na diplomacia contemporânea
O evento, coorganizado pelo Instituto para a Promoção da América Latina e das Caraíbas (IPDAL) e pela CPLP, destacou a urgência de integrar o pensamento jovem nos processos decisórios de políticas públicas. Para o presidente do IPDAL, Paulo Neves, a ideia de que a juventude representa apenas o futuro é um equívoco. Segundo o dirigente, os jovens são agentes transformadores do presente, capazes de oferecer novas perspectivas para a complexa rede de relações que compõe a lusofonia.
A secretária-executiva da CPLP, Fátima Jardim, também participou das mesas de debate, reforçando a importância da escuta ativa. As propostas formuladas pelos participantes durante o evento em Cascais serão compiladas em um documento oficial, que será entregue ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e à Presidência da República de Portugal, além de ser compartilhado globalmente para influenciar a agenda diplomática dos países membros.
Conexão global e a agenda da língua portuguesa
Um dos pontos centrais do debate foi a consolidação da língua portuguesa no cenário mundial. A proposta de tornar o idioma uma língua oficial das Nações Unidas até 2030, defendida por Portugal e apoiada pelo Brasil, foi amplamente discutida. Paulo Neves ressaltou que, embora o custo de implementação seja elevado, o avanço de tecnologias como a inteligência artificial pode otimizar os processos de tradução e interpretação, tornando a meta mais acessível.
O presidente do IPDAL enfatizou que o investimento para essa oficialização deve ser compartilhado entre todos os países da comunidade. “A língua portuguesa não é só dos portugueses”, afirmou Neves, destacando que o bloco lusófono possui uma capilaridade estratégica única, conectando continentes através de nações como Brasil, Angola, Moçambique e Timor-Leste. Essa diversidade é vista como um ativo multicultural capaz de fortalecer a concertação estratégica em fóruns multilaterais.
Expectativas para o Conselho de Segurança da ONU
O retorno de Portugal como membro rotativo do Conselho de Segurança da ONU, previsto para janeiro de 2027, gerou grande expectativa entre os jovens presentes. A esperança é que o mandato de dois anos sirva como uma janela de oportunidade para que as demandas e a identidade da lusofonia sejam melhor representadas no sistema das Nações Unidas. O evento reafirmou que, ao construir pontes e fortalecer agendas comuns, os nove países da CPLP podem exercer uma influência muito mais significativa na diplomacia global.
O Conexrs segue acompanhando os desdobramentos das políticas externas que impactam a comunidade lusófona e o papel das novas gerações na construção de um mundo mais integrado. Continue conectado ao nosso portal para receber informações relevantes, análises aprofundadas e um olhar atento sobre os temas que moldam o cenário internacional e regional.
Fonte: news.un.org
