Justiça eleitoral pune Ricardo Salles por uso irregular de IA contra André do Prado

Justiça eleitoral pune Ricardo Salles por uso irregular de IA contra André do Prado

Política

Justiça eleitoral impõe sanção por uso de inteligência artificial

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) condenou o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) ao pagamento de multas que totalizam R$ 10 mil. A decisão, proferida pela juíza auxiliar de propaganda Claudia Fonseca Fanucchi na última sexta-feira (7), aponta irregularidades na veiculação de conteúdo digital contra o deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa paulista. Ambos são postulantes ao Senado em São Paulo.

A magistrada entendeu que o material configurou propaganda eleitoral antecipada e impulsionamento ilícito de conteúdo negativo. O ponto central da controvérsia reside em um vídeo de 84 segundos, no qual Salles utiliza recursos de inteligência artificial para desqualificar seu adversário político. Segundo a decisão, o parlamentar falhou ao não incluir advertência explícita sobre o caráter sintético das imagens, violando resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que exigem transparência no uso de tecnologias digitais durante o pleito.

Contexto do embate pela direita paulista

A disputa judicial reflete uma tensão crescente nos bastidores da política paulista. Salles e André do Prado rivalizam pelo protagonismo no campo da direita e pela influência sobre o eleitorado bolsonarista. A representação que culminou na multa foi movida pelo diretório estadual do PL, partido de André do Prado, em resposta a críticas contundentes feitas pelo ex-ministro do Meio Ambiente.

No vídeo questionado, Salles questiona os critérios de escolha do PL para a vaga ao Senado e relembra episódios do histórico político de seu rival. O ex-ministro aponta, entre outros pontos, o apoio de André do Prado à candidatura de Dilma Rousseff em 2010 e sua proximidade com a gestão de João Doria durante a pandemia. Para Salles, esses fatores seriam incompatíveis com a pauta conservadora.

Defesa e desdobramentos do caso

A defesa do deputado federal argumentou que o conteúdo se tratava de “charges políticas manifestamente artificiais”, sustentando o exercício da liberdade de expressão. Em nota enviada à Folha de S.Paulo, Salles manteve o tom crítico, declarando: “Só dissemos a verdade: ele nunca foi de direita, nem jamais será”. O parlamentar ainda pode recorrer da decisão do TRE-SP para tentar reverter a sanção financeira.

Além das questões técnicas sobre o uso de IA, o caso evidencia o desgaste na relação entre os grupos políticos. Salles alega que a candidatura de André do Prado ao Senado seria um “prêmio de consolação” após o veto do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para que o deputado estadual compusesse sua chapa como vice. A decisão da justiça eleitoral reforça o rigor dos tribunais quanto ao uso de ferramentas digitais e impulsionamento pago em um cenário eleitoral cada vez mais polarizado.

O Conexrs segue acompanhando os desdobramentos desta e de outras decisões que moldam o cenário eleitoral brasileiro. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura aprofundada, com a seriedade e a imparcialidade que a informação de qualidade exige. Continue acompanhando nosso portal para se manter atualizado sobre os fatos que impactam a política e a sociedade.

Fonte: redir.folha.com.br