Paridade de gênero no Legislativo brasileiro deve levar quase quatro décadas

Paridade de gênero no Legislativo brasileiro deve levar quase quatro décadas

Política

O longo caminho para a representatividade no Congresso

A composição do Poder Legislativo brasileiro ainda reflete um descompasso significativo em relação à demografia do país. Um levantamento recente realizado pelo RenovaBR, escola voltada à formação de lideranças políticas, aponta que, mantido o ritmo atual de crescimento, a paridade de gênero nas Assembleias Legislativas e na Câmara dos Deputados só será alcançada em 2062. O cenário para a representatividade racial é ligeiramente mais otimista, com a projeção de proporcionalidade atingida em 2046.

O estudo baseou-se em dados consolidados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), analisando o desempenho de candidatos entre 2014 e 2022. Durante esse intervalo, observou-se uma evolução gradual, porém insuficiente para encurtar o hiato histórico de participação de grupos sub-representados nas instâncias de decisão política.

Evolução tímida nas urnas

Os números revelam que, embora exista uma tendência de crescimento, a velocidade da mudança não acompanha a urgência da demanda social por representatividade. Entre as mulheres, a fatia de eleitas subiu de aproximadamente 11% em 2014 para 18% em 2022. No recorte racial, a parcela de parlamentares negros eleitos avançou de cerca de 24% para 32% no mesmo período.

Esses indicadores demonstram que, apesar de políticas de incentivo e do debate público crescente sobre a necessidade de diversidade, o sistema eleitoral brasileiro ainda impõe barreiras estruturais. A análise do RenovaBR sugere que o avanço depende não apenas de cotas, mas de um ecossistema que prepare candidatos para os desafios das campanhas modernas.

Formação e competitividade eleitoral

Para o diretor-executivo do RenovaBR, Rodrigo Cobra, a mudança exige um esforço coordenado para reduzir os prazos projetados. O foco deve ser a ampliação de oportunidades para que mulheres e pessoas negras cheguem às urnas com condições reais de disputa. “A formação de lideranças, com preparo técnico, orientação sobre campanhas e fortalecimento de redes de apoio, é um passo importante nesse processo”, afirma.

A competitividade eleitoral é, frequentemente, o principal gargalo para novos nomes. Sem acesso a financiamento robusto, tempo de televisão e redes de apoio estruturadas, grupos historicamente marginalizados enfrentam dificuldades para romper a barreira dos mandatos já estabelecidos. O desafio, portanto, reside em transformar a intenção de diversidade em estratégia política concreta dentro dos partidos.

Impactos na democracia brasileira

A baixa representatividade no Legislativo afeta diretamente a qualidade das políticas públicas, uma vez que o Parlamento é o espaço onde as demandas da sociedade devem ser traduzidas em leis. Quando a composição da Câmara e das Assembleias não espelha a diversidade da população, temas cruciais podem ser negligenciados ou tratados sem a devida sensibilidade social.

Acompanhar esses dados é fundamental para entender o futuro da democracia no Brasil. O Conexrs segue atento aos desdobramentos sobre a reforma política e as iniciativas que buscam equilibrar a balança da representação. Para continuar bem informado sobre política, economia e os temas que moldam o nosso país, acompanhe nossas próximas reportagens e análises exclusivas.

Fonte: redir.folha.com.br